quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

De onde surgiu aquele caminhão?

Foi um loongo começo de madrugada. A rotina silenciosa do nosso prédio foi um pouco alterada por um caminhão que surgiu... Do nada.
Nós já tínhamos ido dormir, porém eu ainda não tinha pegado no sono – milagre.
Vi o Zé na janela olhando pra fora e exclamando:
_Que barulheira é essa?
_ O que esse caminhão enorme está fazendo aqui na rua?
Diante de tantas perguntas e do barulho que começou a ficar mais forte, levantei-me e fui espiar.
Lá embaixo tinha um caminhão ENORME – a gente não conseguia imaginar como ele chegou ali. Estava ali, no meio da rua, ligado e parado.
Do lado de fora o motorista, um outro homem e o Senhor Domingos - porteiro do nosso prédio.
Eles circulavam em volta do caminhão. Falavam, gesticulavam e olhavam para cima.
Olhei mais atentamente e vi que o postinho de ferro (com os fios de telefone, energia, etc) do nosso prédio, tinha sido quebrado e estava tombado em direção da rua. Os fios enroscados em cima do caminhão.
O motorista do caminhão subiu atrás da cabine e com uma vassoura tentou desenroscar os fios. Achou que tinha conseguido. Desceu e começou a andar com o caminhão. O Melbi – ex-síndico do nosso prédio que estava na sacada vendo tudo avisou que o fio continuava enroscado, e se o caminhão fosse pra frente mais um pouco, poderia estourar tudo.  O motorista bem que tentou prosseguir mais um pouco.
No nosso prédio e no da frente, a maioria dos moradores já estavam na sacada, observando o acontecimento. Eu que até então estava na janela, resolvi ir na sacada para ver melhor.
Lá embaixo era só zum zum zum. Já estavam lá, alem do motorista do caminhão e o Senhor Domingos, o Daniel - síndico. O Melbi. O rapaz do 1º andar. O Tadeu “MacGyver”.
O Daniel ligava para algum lugar. Não sei se no bombeiro, ou na CPFL.
O rapaz do 1º andar tirava foto da placa do caminhão. O Senhor Domingos com um papel e caneta anotava alguma coisa. O Melbi e o Tadeu conversavam na esquina com mais algumas pessoas.
Ouvi quando o Daniel falou que teriam que dar um jeito porque ninguém viria para resolver o problema. 
Começaram as tentativas. O Daniel subiu no muro para puxar e tentar voltar o poste no devido lugar – e assim os fios liberariam o caminhão. O poste não voltou totalmente.
Eis que aparece e entra em ação o Tadeu MacGyver. Ele chegou com um rodo e um outro pedaço de pau – cabo de alguma coisa. Passou fita adesiva, amarrando-os e foi na lateral do caminhão suspender os fios.
O motorista ligou o caminhão e foi saindo devagar. O Daniel em cima do muro segurando o poste. O rapaz do 1º andar na frente sinalizando e direcionando o motorista. Os moradores dos prédios torcendo pra tudo dar certo. Que situação!rs
E o caminhão foi sendo escoltado pelo rapaz do 1º andar e do vizinho do 6º andar - que desceu uns minutos antes. Deve ter levado uns 20 minutos para percorrer (+/-) 100 metros. Enfim, ele foi embora sem fazer maiores estragos.
E o Daniel continuava lá, em cima do muro, segurando o poste. Minutos depois o Tadeu chega com uma corda. Foi nessa hora que nomeamos ele de MacGyver.rss
Amarraram essa corda ao poste e prenderam-na nas grades da sacada do térreo. Era o que dava para ser feito até o dia amanhecer.
Bom, todo esse alvoroço durou cerca de uma hora. Apesar de, em alguns momentos a gente ficar preocupado - afinal eram fios de alta tensão que estavam enroscando - ver toda aquela bagunça generalizada e cada um fazendo uma coisa chegou a ser engraçado. Sem dúvida nenhuma, dormir diante de tudo isso era impossível. Não tínhamos outra opção senão ficar olhando, aguardando o desenrolar da história.rss
Após toda essa agitação o sono demorou a voltar. Eu ainda escutava lá longe os homens conversando. E o barulho foi sumindo... Sumindo... Sumindo.
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