terça-feira, 30 de junho de 2015

Pedido

Ajude-me a chegar ao que sou
Fazendo o mesmo, buscando-se também.
Ajude-me a ver o que só você viu,
Para que eu seja capaz de amar
O que só você amou.

Pe. Fábio de Melo


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Problemas


“Nossos problemas se tornam muito pequenos - ou até deixam de existir, quando tentamos - ou passamos a ajudar o próximo”. Essas palavras NÃO são minhas. Mas, vez em quando me lembro delas, e procuro aplicá-las no meu dia a dia.

domingo, 14 de junho de 2015

Quem consegue dormir com tanto barulho?

Para mim, o Sábado e o Domingo são os dias que eu gosto, quero e procuro dormir até mais tarde. Só que ontem e hoje não...
Problema é que a minha direita, a menos de um quilometro está a Paróquia Santo Antônio. E a minha esquerda, também a menos de um quilômetro está o Estádio Moisés Lucarelli.
Para quem não sabe, ontem foi dia de Santo Antônio.  E fui despertada com o barulho estrondoso de fogos de artifício, rojão. Pode até não ter sido nessa proporção só que, estava cedo e eu estava dormindo.  Só não fiquei irritada porque eu tinha que acordar mesmo. Ia trabalhar.
Agora hoje eu não esperava. Logo cedo barulhos de buzinas, fogos de artifício, moleque na rua cantando “ponteee, ponteee”. O que é isso meus Deus?! O Zé falou. Hoje tem jogo da Ponte, às 11 horas. Pô, não era nem 10 horas.
O Zé trouxe uma xícara de café e continuei firme, ali na cama.
Porém, os barulhos aumentaram. Agora além das buzinas, dos fogos de artifício e rojão, tinha outros. Da bateria tocando samba. Da torcida cantando “ô eu te amo, ô eu te amo meu amor”. Ou então “olê olê olê, ola Ponte, Ponte”. E pra complementar toda essa barulheira, o Hino Nacional foi tocado na guitarra. Inacreditável!
Pedi outra xícara de café, e continuei na cama, virando de um lado para o outro. Quem sabe os barulhos diminuem.
Só que não. Agora começou o som da fanfarra do Colégio Adventista, que fica em frente de casa.
Agora basta. Saí da cama. Fala sério! Dá para dormir com tanto barulho?

4 anos - Festa Junina Cultura



Como tem sido há 4 anos, ontem nós fomos à Festa Junina do Clube Cultura. A intenção é relembrar o nosso primeiro encontro, que foi no dia 02 de Julho de 2011.
Esse ano a entrada para não associados estava 20 reais, com direito a quentão, pipoca e amendoim. A festa é dentro do ginásio de esportes. Eu acho linda a decoração. Tanto que tiramos sempre a foto de um modo que pegue as bandeirinhas e o balão no centro. Por ser dentro do ginásio o barulho é grande. Conversar... Impossível! O lado bom é que pode chover ou ter muita neblina que não atrapalha em nada a festa.
O som desse ano estava "de acordo". Forró. Logo que chegamos a banda tocou por mais uma meia hora, depois parou para o intervalo. Não ficamos muito. Circulamos um pouco. Sentamos um pouco.  Comemos e bebemos um pouco. Tudo estava muito bom e a noite agradável.  

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Presente de Dia dos Namorados

Dessa vez o Zé me surpreendeu. Hoje ele me presenteou com o kit de miniaturas das colônias Carolina Herrera, que há tempos venho querendo...
O kit que ele tinha me dado em 2012, quando foi ao México, tinha acabado. Desde então sempre que eu passava em alguma perfumaria dava uma olhada para ver se encontrava.
O Zé já tinha me alertado que eu só iria encontrar no Duty Free. Como não tenho previsão de pisar em um aeroporto, o jeito foi pesquisar na internet. Só encontrei no Mercado Livre. Comentei com o Zé que falou para eu tomar cuidado, pois, poderia ser falsificada. E agora?... Compro ou não compro? Não comprei. Resolvi pensar melhor.
Surgiu uma oportunidade de tê-los, quando, há mais ou menos dois meses a Tati foi de carro ao Paraguai. Ela perguntou se eu queria alguma coisa. Mais que depressa mandei a foto do meu kit, e pedi para ela trazer, caso encontrasse. Ela não encontrou.
No final do mês passado, a Rosileni passou no escritório (na hora do almoço) para bater papo, e falou que vai para Orlando no final do mês de Junho. Oba! Outra oportunidade.
Eu estava só esperando ela perguntar se eu ia querer algo de lá. Mas... E se ela não perguntasse?
... Eu estava tomando café quando o Zé trouxe uma caixa de presente. Não tinha a menor ideia do que tinha lá dentro. Na tampa da caixa, um bilhete. Ao abrir, um cartão lindíssimo e então... O kit. Quase chorei! Primeiro porque não esperava. Segundo porque queria muito.
Depois de cheirar cada um, e admirar a embalagem, comecei a sessão de perguntas.
_Onde você comprou?
_No Mercado Livre.
_Como conseguiu que chegasse a tempo?
_Comprei bem antes.
_Você não falou que podia ser falsificada?
_Pesquisei bastante, inclusive a reputação do vendedor. 
Cessada as perguntas, coloquei o presente dentro da bolsa e levei para mostrar para as meninas.


Abaixo fotos do presente.


O Príncipe e a Sapinha sincera

Venha ser a minha Cinderela.
Não posso, o metrô não passa no seu bairro.
Eu a busco de carruagem.
Imagina, lá na minha rua as pessoas o apedrejariam.
Eu levo os meus guardas fiéis.
Eles seriam metralhados.
Então venha ser minha Rapunzel.
Não posso! Meu cabelo é longo mas é aplique.
Mas eles parecem fortes.
Que nada! Já fiz muita escova progressiva. Os fios estão fraquíssimos.
Então venha ser minha Branca de Neve.
Sou alérgica a maçã.
Eu substituo por uma nêspera.
Tenho medo de anões.
Eu os troco por príncipes.
Mas eu poderia me interessar por um deles.
Impossível. Minha beleza é insuperável.
Mas eu sou muito volúvel.
Deixará de ser quando me conhecer.
Desculpe-me, mas eu já tenho alguém.
Como assim? Eu sou o seu príncipe.
Aconteceu.
Quando?
Numa tarde.
Era primavera ensolarada?
Que nada. Um calor insuportável.
Como você o conheceu?
Quando aceitei uma proposta de emprego.
Onde?
No Sítio do Pica-Pau Amarelo, em Taubaté.
É um Reino?
Não, interior de São Paulo, Vale do Paraíba.
Não conheço.
Está perdendo. Tem o melhor bolinho caipira do Brasil.
Eu não como frituras.
Eu como. Estou sempre acima do peso.
Fale-me desse rapaz. Como aconteceu?
Eu me apaixonei. Ele também trabalha lá.
Ele não é um príncipe?
Não. Ele é o Visconde de Sabugosa.

Pe.Fábio de Melo - Do livro "Quem Me Roubou de Mim?".


quarta-feira, 10 de junho de 2015

São Lourenço

... Saindo de Pocinhos, no caminho passamos em uma lojinha, na cidade de Caldas, onde compramos vinho, bolachinhas e doces.
Estava uma tarde calorenta. O bom é que o sol não estava de frente. O que ocorreu em quase toda a viagem rumo à Pocinhos. Não conseguimos achar um lugar legal para almoçar, então fomos direto.
Já era final de tarde quando chegamos em São Lourenço. A primeira impressão foi: Que zona é essa?! Muito trânsito (de carros e charretes). Alguns lugares congestionados. Só não nos irritou porque estávamos de férias. Mas, já ficamos descontentes.
O Zé passou em dois hotéis mais próximos do centro. Um tinha vaga, mas estava absurdamente caro. O outro, que estava mais em conta, o Zé não gostou porque não tinha garagem para o carro. No fim, decidimos procurar acomodação perto da estação de trem. O Zé tinha feito reserva para o passeio “Trem das Águas” que seria no outro dia às 10 horas da manhã.
Encontramos um hotelzinho, super barato, só que... O banheiro ficava do lado de fora do quarto. Nem pensar. A recepcionista deste hotel foi gentil e nos indicou outro hotel, próximo dele. Fomos até lá. R$ 120,00 a diária. Um quartinho pequeno. O banheiro menor ainda. Bom, para dormir e tomar banho, estava bom demais. Deixamos nossas malas lá e fomos para a rua.
Já era noite. Passeamos no parque onde estava tendo festa junina. Comemos cachorro quente. Depois caminhamos pelas ruas principais, olhando e entrando em algumas lojas e, por fim paramos no calçadão central, onde ficam os bares, restaurantes, lanchonetes. Tinha muita gente. Ficamos em uma lanchonete onde, no barzinho da frente tinha uma cantora tocando e cantando. Comemos pizza e bebemos caipirinha. Estava muuuito frio. Voltamos caminhando para o hotel.
A noite não foi tranquila, pois, além do quarto não ser tão confortável como do Grande Hotel (já estava com saudades.rss), no meio da madrugada, um bêbado ficou gritando na rua. Era ele gritando e a cachorrada latindo.
E para piorar a situação, logo cedo o motorista de um caminhão parou bem embaixo da janela do nosso quarto, e deixou o motor ligado. Quem consegue dormir com um barulho desses? Apesar do frio não teve jeito. Bom, nem preciso dizer que a essa hora o Zé já estava super-hiper-irritado. Falou que nunca mais voltava para São Lourenço.
Tomamos o café e fomos para a estação de trem. Como o Zé já tinha pegado as passagens na noite anterior, nós já fomos direto para o local, esperar o trem sair.
O passeio é regado a violeiros cantando, e as moças que servem vinho, queijo e doce de leite (faz parte do pacote). O passeio dura cerca de 2 horas. Não tanto pelo percurso, mas porque fica por quase uma hora parado na estação da cidade de Soledade de Minas. Ali tem os comerciantes vendendo comidas, bebidas, vestuário, lembrancinhas, etc.
Eu e o Zé adoramos passear de trem. Ouvir o apito. O som da locomotiva. Ver as paisagens próximas dos trilhos, e ver os moradores que alegres acenam para os passageiros. Foi muito divertido bastante. Tiramos bastante foto.
Nem preciso falar que descemos da estação e fomos direto para o hotel fazer as malas e bater “em retirada”. Na noite anterior, a gente já tinha conversado e decidido que voltaríamos no Sábado mesmo para casa.
Eu queria estar em casa no Domingo. E também queria ir visitar o Sr.Olympio na clínica.

O retorno foi tranquilo. Chegamos ao anoitecer. Graças a Deus fizemos mais uma viagem abençoada!


Sobre o "Trem das Águas".

Trem das Águas é um trem turístico cultural, cujo trajeto sai da cidade de São Lourenço até Soledade de Minas, a 10 km do ponto de partida. O trem é conduzido por uma autêntica locomotiva a vapor, oriunda da Estrada de Ferro Leopoldina. Este trem é operado pela ABPFRegional Sul de Minas.
O trem normalmente funciona nos finais de semanas e feriados (confirmar na estação os horários). Aos sábados o trem parte as 10:00hs e 14:30hs, aos domingos as 10:00hs, podendo também serem agendadas viagens extras conforme a demanda.
Roteiro
A viagem tem início em São Lourenço, km 80 da extinta The Minas and Rio Railway Company e segue em direção a Soledade de Minas, km 90. A viagem dura em torno de 40 minutos e os passageiros contam com guias e violeiros que ajudam a animar ainda mais o passeio.
Após a chegada em Soledade, o trem para por 40 minutos para que os passageiros possam conhecer a feira de artesanato e guloseimas, é feita então a manobra da locomotiva, após a parada é iniciada a viagem de retorno a São Lourenço.
Expansão
Em 2011 foram iniciados os trabalhos de restauração da via permanente de São Lourenço (km 80) a São Sebastião do Rio Verde (km 60), que quando concluídos vão trazer de volta mais 20kms da ferrovia.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Trem_das_%C3%81guas

Pocinhos do Rio Verde

O Zé estava querendo viajar. E eu precisando descansar. Como tenho alguns dias “em haver” no escritório, pedi ao meu patrão para emendar o feriado de Corpus Christi.
A princípio pensamos em ir para Itapema-SC, com o Gabriel, Eliane e Felipe, para ficar na casa dos pais do Gabriel. Porém, como a gente já desconfiava que o Gabriel não fosse conseguir folga do trabalho, preparamos o plano B. Ou melhor, nos programamos para ir para Minas, região que gosto demais.
E o roteiro foi cuidadosamente preparado pelo Zé: Primeiro Pocinhos do Rio Verde e depois São Lourenço.
Saímos de casa, na manhã do feriado - quinta-feira, dia 04. Como estávamos “de boa”, resolvemos dar uma passadinha antes em Monte Sião. Há anos não vou lá. A cidade estava um formigueiro de gente. No fim, demos uma olhada nas lojas em torno da praça. Paramos para tomar café. Comprei uma calça e fomos embora. Estava muito sol e aquele tumulto nos levou a querer zarpar rapidinho.
Voltamos para a estrada, e só paramos para almoçar. Para chegar em Pocinhos do Rio Verde, a gente passa por dentro da pequena cidade de Caldas. Ali vimos que a noite teria a procissão e depois a Festa Junina. Oba... Já arrumamos programa para a noite!
Quanto ao hotel, o Zé não fez reserva. Feriado é problema. A maioria dos hotéis ou pousadas querem fechar pacote. Ou então dizem que só fazem reserva para duas diárias. Só que, na maioria das vezes encontramos vaga e, eles acabam deixando uma diária só.
Conseguimos um quarto no Grande Hotel. Há tempos o Zé me fala de Pocinhos e principalmente desse hotel. Bom, o hotel é realmente lindo e... ENORME. Tem piscinas, sauna, muito verde e, um salão de jantar (onde também é servido o café da manhã) que é um “desbunde”.
O quarto muito, mas muuuito aconchegante. A cama tinha aqueles véus, que lembram as camas de antigamente. Eu me senti uma rainha. O banheiro bonito e grande. E que delícia que é tomar banho naquele chuveiro. Água em grande quantidade, com pressão, além de estar na temperatura que eu gosto.  Isso sem falar na qualidade da água!
Ao anoitecer fomos à cidade, na praça onde estava acontecendo à festa junina. Na verdade era uma festa de comemoração do aniversário da cidade. Cidade pequena é um barato. Parece que todos se conhecem, ou seja, a gente tem a impressão que todos estão nos olhando, pensando: Quem são esses? Devem ser turistas.rss
Eu e o Zé estranhamos. Não tinha muitas pessoas, e o espaço onde estava acontecendo à festa era pequeno. Ao todo tinham três barracas com venda de comidas e bebidas. Uma cobertura onde tinha um pequeno palco, onde já ensaiavam os músicos da orquestra de violeiros que iriam tocar mais tarde.  E várias mesas e cadeiras. Ficamos ali, sentados, comendo lanche e bebendo vinho quente.
Apesar da noite fria, o céu estava estrelado. Uma das coisas boas de quando vamos para região de campo é que podemos ver e apreciar as estrelas. A lua.
Como fez muito frio e no quarto não tinha aquecedor, eu fiquei com medo de passar frio. Imagina... Dormi maravilhosamente bem.
No outro dia fomos tomar o café da manhã no magnífico salão. Eu tomava café olhando os lustres, as paredes. Olhava tudo!
Após o café fomos passear pelo hotel. Descemos no porão. Achei escuro. Sombrio. Estranhei porque tinha mesas e cadeiras. Perguntamos depois para o dono do hotel, que nos falou que as pessoas reservam ali para eventos. Tem gosto pra tudo! Fomos conhecer as piscinas e os outros aposentos.
Depois resolvemos sair de carro para conhecer as cachoeiras que ficam ali perto. Fomo só em uma. Para chegar até a outra tinha um trecho de terra. O Zé desistiu.
Adorei conhecer Pocinhos do Rio Verde. Adorei ficar no Grande Hotel. Ficaria ali por vários dias. Mas, era hora de ir embora. Hora de fazer as malas para continuar a viagem, rumo ao próximo destino: São Lourenço...


Sobre Pocinhos do Rio Verde (segundo o wikipedia).
Distrito onde são encontradas fontes de águas medicinais sulfurosas. As fontes estão situadas no parque do Balneário Doutor Reinaldo de Oliveira Pimenta e estão indicadas para problemas intestinais e dermatológicos. O Balneário conta com salas para banhos de imersão, hidromassagem e sauna, distribuídas em duas alas - masculina e feminina.
No centro, encontra-se a igreja dedicada a São Vicente de Ferrer. No alto do morro do Galo encontra-se a Capela de Santa Terezinha, cuja história foi construída por uma visitante que havia se curado com as águas miraculosas de Pocinhos do Rio Verde.
Em virtude das águas medicinais dispõe de rede hoteleira formada pelos seguintes hotéis: Itacor Hotel, Edmar Hotel, Grande Hotel Pocinhos, Hotel Rio Verde, Hotel Fazenda do Ypê e Camping Bosque das Fontes.
Nos arredores do distrito temos os seguintes pontos turísticos: piscinas naturais do Rio Soberbo, Bacião (poço profundo situado no rio Soberbo precedido de queda d'água), Areião (pequena ponta de areia na margem do rio Soberbo), Cascata Antônio Monteiro e Cachoeira dos Duendes (situada no bairro da Pedra Branca).
O Grand Hotel Pocinhos é considerado o hotel mais antigo do Brasil em funcionamento. Foi construído em 1886 pelo imigrante italiano Nicolau Tambasco Glória. Uma construção rústica de pau-a-pique que no início hospedava viajantes logo foi ampliado para atender a demanda de pessoas que vinham de todas as partes procurar nas águas minerais sulfurosas da estância hidromineral de Pocinhos do Rio Verde o tratamento para doenças do intestino.
Em 1914 a francesa Madame Suzane Pellissier e seu companheiro Sr. José de Paiva Oliveira adquiriram o empreendimento da sra. Maria Alexandrina Tambasco, viúva do Sr. Nicolau, e deram maior impulso ao hotel dedicando ao turismo de saúde.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Caldas




domingo, 7 de junho de 2015

Visitas ao Sr.Olympio

Fiquei (e estou) muito triste.
Hoje fui visitar o Sr. Olympio na clínica.
Ele estava deitado, acordado, e quieto.
Não falou nada, por mais que a gente perguntasse algo para ele.
Lá eles não amarram o braço dele, como faziam no hospital. Eles enrolam faixas na mão, que fica parecendo uma bola. Não sei o que é pior.
Fiquei com o coração partido de vê-lo naquela situação. Eu acho uma ironia do destino. Ele vivia em prol da casa. Lembro de quando eu o conheci, há quase quatro anos. Ele me mostrou a casa, os armários. Sua casa era o seu maior orgulho. E hoje...
Hoje ele está lá, em uma clínica, convivendo com várias pessoas, desconhecidas.
Ele não conseguir mais se alimentar, para mim, é outra ironia do destino.
O Sr.Olympio comia bem. Tomava leite com café e um pão, todas as manhãs.
Almoçava bem. Comia frutas, saladas, carnes. Ele sentia prazer em se alimentar. E hoje...
Hoje ele não sente mais o sabor dos alimentos. Isso é cruel!
Confesso que hoje fiquei mal, ao ver a situação dele. Fiquei ali, olhando para ele, tentando compreender tudo isso.
Fiquei tentando imaginar o que está passando pela cabeça dele.
Apesar de ele não estar com dor física, pois o semblante não demonstra isso, fico pensando se ele está sentindo alguma dor emocional.
Se pelo menos ele falasse...

Pós-escrito de 14/06/2015:
Ontem nós levamos a D.Odete para visitar o Sr.Olympio, na clínica. Durante a semana, a Adriana mandou mensagem no grupo do WhatsApp, dizendo que a D.Odete queria ver o Sr.Olympio. Perguntou quem poderia levá-la. Como era nosso dia de ficar a tarde com ela, nos prontificamos.
Já tinha falado para o Zé que, quando ela fosse que eles ligassem na clínica avisando e, pedindo para colocarem o Sr.Olympio na cadeira. Para ela não ficar tão impressionada ao vê-lo.
Nós chegamos à clínica passava das quatro horas. O Sr.Olympio estava sentado e acordado. A D.Odete ficou chocada e por várias vezes chorava. Ele está bem magro. O cabelo comprido. As mãos continuam enroladas com gaze. Tentamos conversar um pouco com ele. Ele nos olhava, às vezes tentava falar alguma coisa. De vez em quando ele cochilava.
Ficamos ali por mais de uma hora. A D.Odete falava com ele. Tocava nele. Ficou sentada ao lado dele, mas, como ele só olhava para frente, ela sentou em frente a ele. Não sabemos se ele tem consciência de que ela estava ali. De que ela é a esposa dele.
Já estava noite quando deixamos a clínica. Deixamos o Sr.Olympio ali, sentado.  Muito triste deixar ele ali. Meu Deus... Que situação!

Pós-escrito de 20/07/2015:
Já voltamos mais duas vezes com a D.Odete para visitar o Sr.Olympio. E nas duas vezes o Rafael também foi. Na primeira vez ficamos surpresos pois ele já fica com as mãos sem nada. Ou seja, ele não puxa mais os canos. Ele estava com o cabelo cortado. Achei que ficou muito bom, mais jovial. 
Ele está mais aceso também. Conversa mais. Reconheceu a D.Odete, o Rafael, o Zé. Eu ele fala que é a Rita. Eu entendo!
É lógico que cada vez ele foca em um assunto e fica "martelando" até a gente cansar.rss
Ficamos felizes por vê-lo assim. Por incrível que pareça, a impressão que temos é que ele está "muito bem", ali. Tanto que a D.Odete e o Rafael brincavam com ele, dizendo que iriam dormir ali, com ele. E ele falava: Não. Dormir aqui pra quê? Eu durmo bem. Durmo a noite toda. Não passo frio.rss

Pós-escrito de 26/07/2015:
Hoje é o aniversário do Sr.Olympio. Ele completou 89 anos. Fomos visitá-lo. Só eu e o Zé. Pena não poder levar um bolinho. Ele adorava um bolo. Um doce.
Ele estava bem. Falamos para ele sobre o aniversário. Ele não se animou muito. Parece que ficou decepcionado quando o Zé falou quantos anos ele estava fazendo. Ele insistia que tinha 26 anos.

Pós-escrito de 09/08/2015:
Hoje é dia dos pais. Eu estou triste. Meu pai faleceu há uma semana. Inclusive hoje é a missa de 7ºdia. Fomos primeiro ao cemitério e depois passamos na clínica para visitar o Sr.Olympio.
Como estávamos meio que na correria, nem pedimos para colocarem ele sentado - na cadeira. Então, chegamos lá ele estava deitado. Mais dormindo que acordado. Cumprimentamos ele pelo dia dos pais. Ficamos pouco.

Pós-escrito de 09/10/2015:
Passaram-se dois meses. Eu não fui mais à clínica. Cada fim de semana é um compromisso. O Zé tem ido durante a semana e me fala como ele está. A notícia é sempre a mesma. Ele está cada vez mais distante - ausente.
No último Domingo (27/09) que ficamos com a D.Odete pensamos em ir, e levá-la. Mas ela não quis. Como o Rafael queria ir visitá-lo, convenci-os de irem, e eu fiquei com a D.Odete.
Hoje vi que realmente, ele definhou nesses dois meses. Sei que ele teve que tomar antibióticos. Por causa da tosse. Depois por causa da urina, tanto que teve que trocar a sonda.
Eu conversei com ele, mas ele não responde mais. Eu não sei dizer se ele me reconhece. Ele enxerga e escuta, isso eu garanto. Pois, ao falar, ele olhava em minha direção. As mãos dele estavam fechadas e bem enrijecidas. Massageei um pouco, abrindo-a e mexendo nos dedos. Sei lá... Acho que esse enrijecimento pode ser tensão. É o que eu acho...

Pós-escrito de 25/11/2015:
Sexta-feira, dia 20 (feriado) eu trabalhei até meio dia. O Zé foi me buscar e fomos à clínica. O senhor Olympio estava na cadeira. Acordado. Ele olha a gente entrando no quarto e todos os movimentos que fazemos. Não responde mais às nossas perguntas. Mas fica olhando. Às vezes ele se mexe, como que tentando falar algo através do movimento. O Eduardo - dono da clínica veio nos dizer que ele teve infecção de urina e pulmão. Que está tomando antibióticos e que está melhor. As mãos continuam fechadas. Consegui abrir os dedos da mão direita. Já a mão esquerda, somente três dedos. O polegar e o indicador, eu não consegui abrir. Ficamos por lá cerca de meia hora.

Pós-escrito de 07/12/2015:
Fomos ontem. Encontramos o Sr.Olympio dormindo. Ele estava de frente para a parede – de costas para a gente. Não quisemos acordá-lo. Ficamos por ali, parados, olhando-o. Fazendo nossas orações em silêncio, por ele. O Zé levou uma embalagem com 03 bolas de tênis. Como ele sabe que o pai adorava tênis, achou que (talvez) ele ficaria animado quando as visse. A intenção também era colocá-las nas mãos dele, para tentar mantê-las abertas.
O enfermeiro sugeriu que o Zé comprasse aquelas bolinhas ortopédicas, que são próprias para essa situação. E sugeriu também que o Zé comprasse um suporte para colocar na parede, com as bolinhas de tênis. Ele falou que o Sr.Olympio fica olhando para a moldura com o rosto de Jesus que está lá. Então provavelmente ficará olhando também para as bolinhas.
O Marquinhos (enfermeiro) também falou que o Sr.Olympio responde só quando é chamado de “meninão”. Diz que quando pergunta se está tudo bem. Ele responde: _Tudo.
Eu (infelizmente) nunca mais ouvi a voz dele.

Pós-escrito de 20/12/2015:
Era nosso dia de ficar com a D.Odete. Perguntei para ela se queria ir ver o sr.Olympio, e ela disse que sim. Então fomos.
Chegamos lá ele estava acordado. Na cama, mas de frente para a gente. Olhos bem apertos. Aparência boa - serena. A dona Odete perguntou quem era ela e ele respondeu. _Odete. Ele reconheceu e falou o nome do José Olímpio também. Eu nem pergunto se ele sabe quem sou eu. Sei que se ele falar, não vai ser Margô nem Margareth, então deixa pra lá.rsrs
Eu fiquei muito feliz ao vê-lo responder. Achei que nunca mais ia ouvir a voz dele.
O Zé levou as bolinhas e o Marquinhos (enfermeiro) já colocou nas mãos dele. Parece que ele gostou.

Pós-escrito de 25/12/2015:
Passamos para desejar Feliz Natal para o Sr.Olympio. De presente eu comprei um hidratante corporal - dica do Marquinho (enfermeiro) e lenços umedecidos.
Quando chegamos o Sr.Olympio estava no sofá. Mais dormindo que acordado, mas logo os enfermeiros o colocaram na cama. Ele ficou ali. Olhava quando eu perguntava alguma coisa. Mexia os lábios, mas não respondia. E é assim. Imprevisível! Tem dia que ele está falante. Tem dia que não quer papo. Ah, as bolinhas estavam nas mãos dele.