terça-feira, 15 de outubro de 2013

Ninguém é de Ninguém

Sexta-feira, como já é de costume, o Zé começa a fuçar na internet para saber o que teremos de eventos para o fim-de-semana.
Ele sugeriu a peça “Pirou?” que estava em cartaz no Teatro Liceu. Fiquei animada com o título, por ser comédia, só que...
Na sinopse estava escrito: "trata-se de um grupo de atores-terapeutas que entram neste tratamento junto com a platéia". Huum, não gostei nada disso! Falei para o Zé que ia acabar sobrando pra gente. Então ele desistiu e resolveu fuçar mais um pouquinho.
Passado alguns minutos, ele manda outro e-mail com outra sugestão. A peça “Ninguém é de Ninguém”, romance, de Zíbia Gasparetto, pelo espírito Lúcius. 
Dei uma olhada na sinopse e achei interessante. O Zé ficou meio receoso (tem os motivos dele.rss) mas aceitou de irmos ver esse espetáculo.
Na noite de sexta-feira ele foi na bilheteria do teatro comprar os ingressos. Ele está ficando ousado.rss Comprou os lugares B18 e B19, 2ª fileira, bem ali... NO MEIO. Que perigo!
Mas ainda bem que essa peça não envolvia a platéia, pelo menos não no sentido de ter que interagir com eles. Envolvente foi, porque chorei bastante. A história é um pouco dramática. Faz-nos pensar e repensar nas nossas atitudes, em acontecimentos pelo qual passamos. Lembrei-me de algumas palavras da minha irmã (que provavelmente vai ler o que estou escrevendo), quando eu estava revoltada com o fim do meu casamento. Na época não entendi, não aceitei. 
Voltando a peça... Tive a impressão de que conhecia um ou outro ator, mas pelo jeito, foi só impressão mesmo. Todos são muito bons, até porque o enredo exige muita concentração, devido a quantidade de “falas”. O Dr.Aurélio chegou até a se perder em alguns momentos, o que fez a platéia dar boas risadas. E eles (atores) também.rss
Sergio Lelys produtor e diretor do espetáculo, nos proporcionou momentos de descontração e muitas gargalhadas no papel da empregada Nicete. Ele também fez o papel de um dos membros do “Centro Espírita”. 
Acredito que a maioria das pessoas que foram assistir a esse espetáculo sejam kardecistas ou, no mínimo simpatizantes, porque apesar do que diz na sinopse: que ‘Ninguém é de Ninguém é um espetáculo para as  mais amplas e diferenciadas plateias, não havendo restrições de religiões, doutrinas ou crenças’, acho que os católicos praticantes (ou como diz a linguagem popular “mais fervorosos”) e os evangélicos não iriam gostar nada, afinal, no espetáculo houve sessões (encontros) onde os espíritos se manifestam. Se bem que, acredito que essas pessoas, nem se atreveriam a ir assistir essa peça sabendo de antemão do que se trata. Mas... Sei lá. Existem curiosos pra tudo!!rss

Folder do espetáculo - à direita Sérgio Lelys
Sinopse:
 “Ninguém é de Ninguém” conta a história dos casais Roberto e Gabriela e Renato e Gioconda, que acabam se cruzando em um período conturbado na vida do primeiro casal.
Após levar um golpe do sócio Neumes, a empresa de Roberto – ele trabalha no ramo da construção civil – vai à falência. Gabriela, que além de sua esposa é uma mulher muito bonita, independente e batalhadora, assume a responsabilidade financeira da família com a ajuda de sua fiel amiga Nicete, que cuida de sua casa e dos filhos sempre de bom humor e alto astral, não permitindo que a família desmorone. Roberto, muito machista e com conceitos ultrapassados, não se conforma com a situação e entra em profunda depressão, levando-o a aliar-se à Gioconda, esposa de Renato, um empresário de alto poder aquisitivo que acaba por despertar um ciúme doentio em Roberto, uma vez que é patrão de Gabriela. No decorrer da história, Roberto contará com a ajuda de um médico psiquiatra, o Dr. Aurélio, para sair dessa terrível crise na qual ele se encontra.

Com mais de um milhão e meio de cópias vendidas em todo o país, a obra “Ninguém é de Ninguém” de Zíbia Gasparetto, pelo espírito Lúcius – chega no Teatro Brasil Kirin.
Há quem pense que sentir ciúme é provar que se ama ardentemente.
Até descobrir que ele transforma sua vida amorosa em dolorosa tragédia, que termina em amarga separação.
O enredo torna evidente que, se fizermos as contas, perceberemos que sofremos mais com as pessoas que amamos do que com aquelas que nos odeiam. Distante da visão idealizada do amor, no enredo, o sentimento é retratado em diversas vertentes e mostra casos em que relacionamentos com ciúme se tornam um tipo de obsessão.
O espetáculo emociona e o espectador leva para casa uma linda lição de vida.
Ninguém é de Ninguém é um espetáculo para as mais amplas e diferenciadas platéias, não havendo restrições de religiões, doutrinas ou crenças. A peça é um romance, uma história de superação onde se é possível rir, emocionar e refletir sobre ciúmes, apego, traição e principalmente sobre o falso e o verdadeiro amor, percebendo-se que a vida afetiva é um constante exercício de autodomínio, e que só possuímos a nós mesmos, pois Ninguém é de Ninguém.
A concepção da direção prima como foco principal o texto e o ator em suas potencialidades como intérprete, abrindo mão de uma cenografia realista. O desenrolar da história fica a cargo de uma narração, magistralmente interpretada pelo ator Elcio Romar que transporta o espectador para dentro da história que está sendo encenada. O texto traz uma dose de humor inteligente e sofisticado, o que permite a platéia além de se emocionar e refletir, também se divertir com algumas personagens tão reais que parecem conviver conosco em nosso cotidiano.
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