quarta-feira, 17 de julho de 2013

Minha vida de doméstica

Se Deus quiser nunca mais farei esse trabalho!
Foi o que vim pensando a caminho do trabalho, hoje cedo.
Tudo começou quando, ao sair do prédio, encontrei uma mulher que me abordou perguntando se eu conhecia “tal pessoa” que morava no prédio em frente.
Ela disse que é faxineira, que uma amiga a recomendou à futura patroa, só que ela esqueceu o endereço. Enfim falei para ela que o porteiro do prédio já estava para chegar e provavelmente poderia ajudá-la.
Isso me fez recordar quando eu trabalhei de empregada doméstica. Devia ter entre 11 e 12 anos. Trabalhava em um apartamento de conhecidos da minha mãe. A patroa era a D.Jacira o patrão Sr.Gilberto. Eles tinham três filhos com idade entre 16 e 23 anos. Jean Carlos (mais velho), Ana Lúcia (do meio) e Willian Charles (caçula). Somente a D.Jacira e o Charles ficavam em casa, os outros trabalhavam. Lá eu só não lavava roupas e cozinhava. Encerava chão (detestava quando estava fazendo isso e o Charles ficava andando de um lado para o outro), passava roupa, e lavava: louça, banheiro e cozinha. Odiava limpar a caixa de gordura. Tinha que limpar toda sexta-feira (dia em que eu lavava a cozinha). Adorava passar roupas. Fazia isso diante da TV, assistindo TV Mulher!
Sexta-feira era dia de faxina "pesada" e também o dia que o Sr.Gilberto trazia um bolo de chocolate delicioso. Após terminar todo o trabalho, sentava e comia, aliás me esbaldava comendo. Para mim, comer aquele bolo significava o prêmio pelo trabalho, pelo cansaço daquele dia.
Eles gostavam muito de ouvir música (principalmente o Jean e a Ana), com eles aprendi a gostar de alguns cantores, entre eles... Rita Lee, Gal Costa, Caetano Veloso e Gilberto Gil.
Todos da casa eram muito bons comigo. Eu ganhava muitos presentes. Em uma ocasião (acho que aniversário), ganhei um conjunto de dormir azul, muito lindo... escrevendo agora cheguei a sentir a maciez do tecido. Para mim, era coisa de outro mundo.
Mas o inesquecível foi a geladeira. Me deram a deles quando compraram uma nova. Lembro que em casa, eu passei (ou já dormia...) a dormir na sala, só para ouvir o barulhinho do motor.rss Foi a nossa 1ª geladeira.
Lembro também que eu namorava muito as roupas e calçados da Ana Lúcia. Ela era muito elegante. Tinha uma saia, toda de recortes de tecidos finos, longa em tons marrom e um sapato de salto alto de camurça marrom. Ah, como eu namorava aquelas duas peças.
Trabalhei com eles por mais de 1 ano. Não aguentava mais trabalhar de empregada. Sei que é um emprego digno como qualquer um, mas não é gratificante, pelo menos eu não achava. Saí quando estava para fazer 14 anos e entrei no Patrulheiros. Naquela época a idade limite era 14 anos.
E é isso... Se algum dia (nunca se sabe) eu tiver que fazer faxina ou voltar a ser empregada doméstica, sei que me adaptarei. Mas enquanto eu puder, lutarei e batalharei para nunca mais ter que exercer essa profissão.
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