segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Conservatória - RJ

Chegamos à cidade de Conservatória já passava das 14 horas. O sol estava estorricando.
Chegamos à pousada – mais pra frente falo dela - descarregamos as malas e fomos à cidade almoçar. Estava com fome, com vontade de comer um bife acebolado com batatas fritas. E comi. Escolhemos o restaurante Tom Maior, indicação da pousada. O ambiente era bastante arejado. Sentei-me na janela. Logo atrás estava a porta. Excelente porque de vez em quando soprava um ventinho. Depois demos uma voltinha na rua e voltamos para a pousada. Resolvemos dormir um pouquinho, uma vez que a noite a gente ia ver a serenata que começava às 21 horas e se estendia até a madrugada. Era preciso estar descansados.rss
Acordamos e fomos conhecer a pousada. Queria ver de onde vinha o barulho de musica “putz putz” que tocou incessantemente a tarde toda. O funcionário da pousada foi mostrando os ambientes. Um a um. Churrasqueira, sala de TV, piscina, salão do café, e então finalmente chegamos onde tinha o tal barulho, ou melhor; música. Era de uma academia - que ficava embaixo dos quartos. Já fui logo perguntando se ela ia abrir no dia seguinte. E o rapaz falou que não. Graças a Deus!
A pousada é bem grande. Além dos ambientes que mencionei acima, ela possui 23 quartos. Na porta de cada um, uma plaquinha com o nome de uma música e o intérprete.
Nosso quarto era o Lamentos/Pixinguinha e ficava na ala superior denominada “Vila Bossa Nova”. Vi que tinha o quarto Abre-alas/Chiquinha Gonzaga e outros. Não sei se comentei em algum lugar que Conservatória é a cidade da Serenata – quase tudo nela tem algo a ver com música – por isso a pousada possui espaços separados por gênero musical e os quartos por nome de músicas. Bom, voltando ao quarto... Nele tinha uma cama de solteiro, uma de casal, TV, frigobar, um guarda-roupa, ventilador, ar condicionado, um banheiro e a sacada. A visão que tínhamos da mesma era um deslumbre. Podíamos ver parte da cidade e as montanhas.
Quando a noite chegou, fomos para o centro. Conservatória é minúscula. São duas ruas onde ficam os bares, restaurantes, museu da música, casa do poeta, lojinhas e onde fica a praça de onde sai o pessoal da serenata.
Enquanto a serenata não começava ficamos circulando. Demos umas cinco voltas - nas duas ruas - para decidir o que e onde comer. Resolvemos entrar em um pequeno estabelecimento, que parecia ter um lanche muito bom. Entramos, o Zé encontrou um lugar – meio no canto – pegou o folheto e começou a ver o que tinha. Nisso um senhor – que pelo jeito era o dono/chapeiro/caixa do estabelecimento - foi logo falando que não tinha mais lanche. Demos risada e saímos. Lembramos da comerciante em Penedo que não quis fazer o suco de laranja. Falar o quê?rss
Decidimos então comer no mesmo lugar onde almoçamos... Tom Maior. Como estava muito quente, quisemos sentar do lado de fora. Até porque há alguns metros dali, na calçada de um outro estabelecimento tinha uma rodinha tocando chorinho.
A Selma (garçonete) trouxe o cardápio e... Esqueceu da gente, literalmente. Tentamos de tudo quanto era jeito chamar a atenção dela e não adiantou. Então o Zé achou melhor ir lá dentro fazer o pedido. Ele voltou dando risada. Falou que quando ela o viu, arregalou os olhos. Lembrou que a gente estava lá fora!rss
Sei que quando ela veio trazer os refrigerantes, não sabia mais como pedir desculpas. Estava toda sem graça. E eu digo novamente... Falar o quê?rss
Ficamos ali, comendo, bebendo, conversando, olhando o vai e vem das pessoas até dar a hora de ir para a praça.
O pessoal da serenata chega pontualmente. Eles se reúnem antes - às 21h30min - na Casa de Cultura que fica ali pertinho. Quando chegam, já estão afinados.
Na sexta tinha somente dois violeiros, mais um pessoal que segue junto a eles cantando. O senhor Edgard que pelo jeito é líder deles, conta a história de como começou a serenata. Entre uma canção e outra ele declama poemas. Eles caminham bem lentamente. Param de vez em quando. Os turistas seguem acompanhando... Na frente... Dos lados... Atrás. Acompanham cantando, tirando fotos. O que acontece ali é mágico. Apesar de eu não conhecer a maioria das músicas, ficava emocionada de ver o envolvimento das pessoas. Eu olhava os rostinhos. Alguns sorriam. Em outros dava para perceber que estavam inebriados, nostálgicos com a situação, com as canções. Jamais me esquecerei daquela cena.
A serenata termina meia noite, e cada um segue seu caminho. O Zé e eu voltamos para a pousada encantados. Dormir depois disso – mesmo tendo dormido à tarde – não foi nem um pouco difícil.
No Sábado, ao acordar ouvimos um som de violão. Lembramos que às 9h, durante o café da manhã haveria alguém tocando e cantando. Corremos para lá. Conseguimos chegar a tempo de ouvir umas três músicas.
Após o café fomos dar mais um passeio pela cidade e almoçar. Como são duas ruas, não tem muito que fazer. Circulamos por elas, várias vezes.rss
Não foi fácil encontrar um lugar legal para almoçar. Estava um calor de rachar mamona. Escolhemos um restaurante nos fundos de uma casa. Era o que parecia mais arejado – por ser aberto. Não gostamos muito da comida de lá. Pra começar o feijão do carioca não é "carioca". É preto. E feijão preto pra mim, só com carne seca, paio, etc. E pra comer no frio - não naquele calor senegalesco. E pra terminar não tinha gelo. A coca-cola estava gelada, só que no segundo gole já tinha esquentado. Não bastasse tudo isso, veio também - melhor não ter vindo - um angu. Gente o que é aquilo. Ô negocinho ruim. Não tem gosto de nada. Comemos pensando que o melhor teria sido ir no Tom Maior. A gente comia e o suor escorria. Saímos de lá direto para a pousada. Ficar embaixo do ventilador era o que a gente mais queria. E foi o que fizemos.rss
À noite voltamos para o centro, para ver a serenata. Dessa vez paramos direto no Tom Maior para jantar. Pedimos o bife acebolado, com arroz e fritas. Delícia.
A serenata do Sábado estava mais tumultuada. Em todos os sentidos. Mais violeiros. Mais gente cantando. Mais gente acompanhando. Teve até discussão porque os carros não podiam passar.
Nós acompanhamos do começo ao fim. Cantamos. Tiramos fotos. A emoção é explícita. Sei que eu sentia um misto de alegria e tristeza. Saber que aquele momento era único. Que nunca mais viverei, ou presenciarei aquilo. A sensação, o que a gente vivencia ali, é indescritível. Só indo lá conferir.
No Domingo, logo após o café da manhã deixamos Conservatória – essa cidade encantada – onde a música está presente em todos os cantos.
E assim terminou nossa viagem de férias, que foi carinhosamente, cuidadosamente planejada pelo Zé.



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