terça-feira, 25 de junho de 2013

A casa do Santa Bárbara

Existem lugares ou situações que nos trazem lembranças boas, as vezes ruins.
E não adianta, quando elas chegam tem sempre uma voz que fica questionando. E se fosse hoje... Eu teria agido diferente? E se fosse hoje... Eu teria aproveitado melhor aquela situação? E se... E se. 
Neste exato momento, tento responder essas perguntas. Acredito que fiz o que podia, ou o que devia ser feito na ocasião. E acredito também... Foi através do que passei, ou da maneira que agi, que cheguei onde estou, que me transformei no que sou hoje. Então não posso me arrepender, pois estou bem e feliz. 
Entrei nesse assunto porque há poucos minutos a Letícia me mandou um torpedo dizendo: “Eu sonhei com a casa do Santa Bárbara, que conseguimos comprar ela de novo, ela tava bem diferente por causa da reforma, mas deixamos igual era antes... Sonhei que eu andava pelo bairro”.
A "casa do Santa Bárbara" foi a nossa 3ª morada depois da separação. Antes de chegar nela vou contar como a encontrei. Tentarei ser breve.rss
1ª morada - ficamos alojados na casa da minha irmã Adriana por mais ou menos 10 dias. 
2ª morada - aluguei uma casinha que ficava na rua de trás da casa da Adriana e que também ficava próximo à casa da minha mãe. Aluguei por um período de 6 meses.
Depois de instalados comecei o processo de venda da chácara e da casa no interior. 
Feito isso comecei a procurar uma casa para comprar. Queria se possível uma ali, no Parque Fazendinha. Seria ótimo morar perto da minha mãe e irmã. 
Apesar de não ter condições físicas, nem psicológicas me bateu o desespero... Precisava trabalhar para engordar o orçamento. Como minha mãe conhecia a dona de uma padaria do bairro, pediu um trabalho para mim. Trabalhei uma semana, foi o que aguentei. 
Mas como tudo tem um "por que"... Eu tinha que estar ali naquela semana. Um dia, atendendo o balcão, reconheci o corretor que anos atrás vendeu a casa onde minha mãe mora. Comentei com ele que estava à procura de uma casa. Dias depois ele me procurou, tinha encontrado uma casa no Parque Santa Bárbara bairro vizinho do Parque Fazendinha.  
E assim, depois de 20 linhas e em menos de 6 meses comprei a "casa do Santa Bárbara".
Ela ficava uns 20 minutos a pé até a casa da minha mãe. A casa era muito grande. Olhando por fora, nem parecia. Como naquela parte do bairro ainda não tinha asfalto, a casa estava sendo vendida por um preço acessível. Eu não tinha dinheiro suficiente para comprar(mas queria aquela casa), tive que emprestar um pouco.
Tentarei descrever a casa (não sou boa nisso). Ela tinha um muro meio alto (comecei mal.rss). Os portões eram de madeira, um pequeno e um grande. Na parte superior ficavam os três quartos (sendo que dois ficavam de frente para a rua), um banheiro, a sala e a escada que nos conduzia para o piso inferior. Descendo, no final da escada tinha um espaço onde coloquei os armários embutidos. Ao lado uma sala de jantar enorme. Tinha também um banheiro e a cozinha. A porta da cozinha e a porta da sala de jantar davam acesso ao quintal. 
Ah, o quintal... Adorava o quintal. Nele tinha um banco de madeira que ficava embaixo de uma mangueira. Tinha também um pé de limão. Que delícia ficar sentada naquele banco. Que delícia tomar um suco de limão fresquinho. Quantas manhãs, tardes, noites eu passei ali sentada, conversando com um ou outro que ia lá, me visitar. Que lembrança boa. Tenho certeza de que todos quando lembram da casa, lembram daquele quintal e daquele banco.
Bom, nesse quintal tinha também um quartinho onde deixava as bagunças (bicicleta, skate e tudo que não queria que ficasse dentro da casa). Perto do tanque tinha um porão escuro, o teto era baixo, o chão de terra, paredes sem rebocar. Estava cheio de madeiras, garrafas de vidro, e outras coisas pertencentes ao dono anterior. Deixei lá.rss
A casa precisava de algumas reformas, mas nada que fosse urgente. Uma coisa que nunca trocaria nela eram os pisos da sala e dos quartos, eles eram lindos.
Mas como tudo acontecia muito depressa na minha vida, passados quase um ano após “esse” episódio, coloquei a casa à venda. Tinha bons motivos: 
1) Ela era muito grande só para mim.
2) Eu saía 7h e voltava depois das 23h, ou seja, ela ficava o dia inteiro fechada. 
3) Quando queria sair ou viajar ficava preocupada. 
4) Tinha uma dívida para pagar que só conseguiria quitar se vendesse a mesma. Essa situação me atormentava, não me deixava dormir sossegada. E pra mim, justifica a decisão que tomei. 
A venda da casa aconteceu rapidinho. O mesmo corretor que me vendeu, arrumou um comprador para ela.
Lembro que algum tempo depois voltei à casa, para levar e pegar uns papéis. O atual dono me convidou para ver a reforma que ele havia feito. Como ele comprou a casa para morar duas famílias, acabou por fechar algumas paredes e construiu outras. Lembro que fiquei decepcionada. Ele acabou com a beleza da casa. Lembro que comentei com meus filhos sobre esse episódio. Por isso minha filha comenta no torpedo que “ela estava diferente por causa da reforma”.
Respondi a mensagem da Letícia escrevendo: “Tenho saudades daquela casa. Tenho saudades daquele bairro. Tenho saudades daquele tempo. Quem sabe um dia, um de nós possa vir à comprar a casa novamente”. Não falei para ela, mas eu sei que mesmo que isso venha a acontecer, nada mais será como antes. O que sei é que apesar dos contratempos nós quatro fomos muito felizes naquela casa, naquele bairro. Sei também que o passado ficou para trás. O que restou foram as lembranças. Nesse caso... Boas, muito boas!
Postar um comentário