sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A Terceira Moça


Um sorriso de satisfação e exclamei: _Fantástico!! É lógico que a moça que estava sentada me olhou, mas nem ligo. Como também nem me importei por acabar a leitura deste livro de pé, no ônibus. Estava muito ansiosa para devorá-lo, faltava pouco, não aguentei chegar em casa.rss
Tenho voltado às leituras e estou dando preferência aos meus dois escritores preferidos, Agatha Christie e Sidney Sheldon. Tenho os meus livros favoritos de cada um guardadinhos na minha estante, este particularmente peguei emprestado (pra variar.rss) como não conhecia o título, chamou minha atenção. E sem mais lenga lenga, vamos à trama:

Título do original inglês : THIRD GIRL
Agatha Christie Ltd., 1966
Editora Nova Fronteira S/A
"Precisa-se de uma terceira moça". Não basta uma? Não bastam duas? Qual o sentido desse apelo aparentemente inusitado e voraz? não, não se trata de um homem às voltas com verdadeira _ ou suposta_desilusão amorosa. É algo muito mais simples: a "terceira moça", pelo menos nesse caso, é aquela que duas outras procuram, em Londres, para dividir_e diminuir, assim_o preço do aluguel de um apartamento. Hercule Poirot tem de se inteirar dessa banalidade para poder enfrentar o mistério de Norma Restarick. Um dia, ela entrou-lhe pela casa inopinadamente, confessando ter "cometido um homicídio". Uma moça dessas muito modernas, de longos cabelos em desalinho, a roupa desajeitada, longe, por certo, de qualquer mania relacionada com o capricho ou asseio pessoal. Uma assassina? Poirot, de início, fica repleto de dúvidas. Não é fácil conhecer a juventude_se o é, por acaso, conhecer alguém, ou algo, efetivamente. Os dados vão sendo reunidos e examinados. Há pistas falsas, como sempre, e em toda parte. O leitor segue os passos do detetive, faz suas próprias investigações e conclui, como de outras vezes, que o mistério policial, afinal de contas, não é tão difícil quanto os outros. (texto transcrito da contra-capa do livro)

Tudo começou quando Norma Restarick, procura Poirot para ajudá-la pois a mesma achava que provavelmente teria cometido um crime. Mas, vendo o detetive ela vai embora, disse não imaginar que ele fosse tão velho, sendo assim, presumiu que não poderia ajudá-la.
Isso apesar de deixá-lo frustrado, motivou-o a tentar saber o que realmente havia ocorrido. Poirot conta com a ajuda da amiga e escritora de histórias policiais Sra. Ariadne Oliver, que motivada pela profissão se torna uma peça importante na investigação, inclusive seguindo suspeitos. Norma é filha de Andrew Restarick um homem de negócios que depois de ter abandonado a esposa e a filha para ir embora com outra mulher para a África do Sul, retorna depois de anos, para tomar conta dos negócios do irmão que falecera. Ele volta acompanhado de uma nova mulher Mary Restarick. 
Norma enciumada pois achava que desta vez teria o pai só para ela, diz a todo momento e à todos que odeia a madrasta, sendo assim uma grande suspeita quando Mary é internada com problemas gástricos, consequencia de envenenamento.
Outros personagens vão surgindo no decorrer da trama, o tio já idoso que quase não enxerga, a memória já não é das melhores, mas que guarda segredos de pessoas influentes da sociedade e Sonia, sua fiel secretária, uma moça jovem, bonita e dedicada. David Baker, namorado de Norma, um rapaz descrito como um "conquistador de jovens" daqueles que não são bem vistos principalmente pelos pais destas jovens. Poirot também conta com a ajuda de detetives e um médico, peça muito importante no momento de desvendar o crime, ou os crimes.
E as peças principais da trama, as outras duas moças, companheiras de apartamento de Norma, as Srtas.Claudia Reece-Holland e Frances Cary. Claudia trabalha como secretária do pai de Norma, Frances em uma galeria de artes, sempre viajando promovendo exposições.
Durante a leitura, várias perguntas vem à nossa mente: Quem Norma teria assassinado? No decorrer da trama chegamos à vítima (alguma coisa tenho que contar, né?) uma senhora cinquentona que, a princípio suspeitava-se que ela tinha se suicidado  jogando-se do 7º andar do prédio onde moram as três moças. Quem era essa mulher? Por que se suicidaria? Ou por que a matariam? E por que, ou quem agrediu a Sra.Oliver (confesso que assustei quando ela foi atingida, achei que tinha sido morta). Quem era o médico que "raptou" Norma mas com o intuito de protegê-la? Quem o contratou, uma vez que ligava dando informações de como ela estava? Que ligação teria o tio de Andrew com esse crime? E Sonia, que segredos escondia essa bela jovem? 
Uma das características de Agatha Christie é descrever cuidadosamente alguns detalhes e os mesmos são por vários momentos relembrados, acredito que esse artifício é utilizado pela escritora com a intenção de provocar no leitor o instinto investigativo, de prestar atenção nas pistas, que nesta trama ocorre: quando Poirot observa e comenta sobre o quadro do Sr.Andrew Restarick, a estranheza dele quando fica sabendo que a Sra.Mary Restarick usa peruca (se bem que era um acessório normal naquela época), quando um bilhete cai de um móvel da falecida Sra.Louise e cai nos pés da Sra.Oliver, um toque aqui, outro ali e Poirot foi juntando tudo, eu acho que não consegui visualizar bem as pistas, pois não cheguei nem perto de acertar o final, já fui melhor nisso.rss
Sei que já tinha lido bem mais de 100 páginas e não conseguia ver sentido em nada, pior ainda estava ficando tudo muito confuso. como sou muito detalhista, fazia a leitura, como sempre tentando chegar à alguma conclusão.
Na verdade queria descobrir antes de Poirot, e olha que me toquei antes dele quando o nome Louise foi mencionado, ele demorou a fazer ligação com as outras peças do quebra-cabeça, pelo menos alguma coisa eu percebi, nem tudo está perdido. Que nada, percebi algumas outras, mas nada que me fizessem chegar perto do que foi o final.
Não podia esperar outra coisa, afinal escrita por Agatha Christie a nossa "rainha  do crime" e deixando a investigação por conta de  sua maior criação Monsieur Hercule Poirot a trama não poderia deixar de ter aquela dose de suspense, e com eles de repente, tudo vira de ponta cabeça, o mocinho vira bandido, a assassina se torna vítima e eu, não passo de uma observadora perplexa (para não dizer com cara de boba) por não ter percebido alguns pormenores, que fizeram a história ter como diria Poirot "une finale magnifique".

Agora vou lá na minha estante escolher qual vai ser o próximo, acho que vou pegar um que li há muito tempo para relembrar, e ver se terei a mesma reação da época"1980", e é claro, volto aqui para contar um pouquinho.
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