quinta-feira, 13 de abril de 2017

HUMANO DEMAIS - A biografia do Padre Fábio de Melo


Depois de 45 anos de vida... 28 de estudos teológicos... 21 de carreira musical... e 15 de sacerdócio... o dia em que descobriu que finalmente estava livre para ser o padre que bem entendesse entrava para a lista dos momentos decisivos de sua vida. Era como os aconselhamentos com a Tia Ló na adolescência, o encontro com padre Léo diante de lágrimas e uma garrafa a’água no corredor do convento de Brusque, o dia em que ele mostrou suas músicas ao padre Joãozinho, a gravação do primeiro disco solo e a explosão do disco FILHO DO CÉU, a conquista do Brasil com o disco VIDA, a chegada ao Canecão, o reconhecimento da Igreja ao convidá-lo a receber o papa Francisco, e, mais recentemente, a chegada ao Theatro Municipal. A experiência humorística no Snapchat, que seguiria se renovando com personagens como Dioclécio, o Exausto, era “definitivamente, um divisor de águas pra mim... se alguém tinha duvida da minha espontaneidade, não tem mais... do que eu posso fazer para aproximar, pra estar perto e ser eu mesmo”.
Ser ele mesmo era mais importante que tudo. O menino precisou ser “expulso” de sua cidade natal para fugir dos problemas da família e descobrir o mundo, o adolescente que precisou aprender a controlar seus instintos masculinos para ser padre, o seminarista que nem conseguiu cuidar de seu lado travesso... Se Fábio de Melo passara a vida amansando seu lado transgressor para que os críticos não se aproveitassem de seus equívocos e tentassem desqualificá-lo, chamando-o de web-celebridade ou padre-cantor... Se até Valéria, a grande amiga da adolescência, dizia que preferia ficar com suas lembranças, pois, “o padre Fábio é um e o Fábio José, filho da dona Ana, é outro”, agora Fábio José de Melo Silva descobria que podia tudo ao mesmo tempo: teólogo e humorista, conselheiro e irônico, canto e pregador, o que quisesse, pois as críticas não o atingiriam mais. Não precisava provar a mais ninguém que sua principal missão era divulgar os ensinamentos de Jesus Cristo, espelhando-se no modelo evangelizador do apóstolo Paulo, levando o cristianismo a quem não o conhecia, interpretando-o quando julgasse necessário, pregando em teatros, falando de religião quando não quisesse. Fábio de Melo passava a ser Fábio de Melo em qualquer circunstância, ou Fábio José, ou Zé da Silva, ou Fabinho, pois todos eles se reencontravam naquele padre único, que agora vive por aí sorrindo e brincando como se ainda estivesse em Formiga.

Em "HUMANO DEMAIS - A biografia do Padre Fábio de Melo", p. 402-403

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