sexta-feira, 22 de novembro de 2013

As mulheres na praça

Todas as manhãs eu passo por essa praça. Conforme vou me aproximando dela, diminuo os passos.
Gosto de ficar apreciando o movimento, que apesar do horário, é bem intenso.
De vez em quando tem alguma criança no balanço. Nos bancos algumas pessoas ficam sentadas, descansando. Talvez enrolando um pouquinho para não chegarem tão cedo no trabalho. Eu já fiz isso.rss
Outros ficam passeando com seus cachorrinhos. Tem aqueles que fazem a sua caminhada matinal.
Dois dias da semana tem algumas bancas que vendem desde pastel, água de coco, artesanatos em geral.
Gosto de ver as árvores também. Um dia desses, peguei umas flores de Jasmim, que estavam caídas no chão. Elas são tão lindas... Com seu tom amarelo e pontas brancas. Lembrei-me de quando pegava e levava uma, para cada menina da Mansur. Colocava na base do monitor delas. Quando elas chegavam, viam e ficavam felizes.
Porém, de tudo, o que mais chama minha atenção são aquelas senhoras. Elas são de origem coreana. Todos os dias, elas estão lá.  Tem dia que estão em três, às vezes quatro. Varia.
Teve um dia que tinha mais ou menos umas oito pessoas. Nesse dia tinha alguns homens também.
Mas geralmente são somente mulheres. Tem uma (aparentemente que tem mais idade de todas) que sempre, sempre está lá.
Elas ficam ali, no meio da praça, em meio aos transeuntes, fazendo exercícios. Exercícios?
Não sei bem o que é aquilo. Também, não é por menos. Cada uma faz de um jeito.
Uma faz movimentos lentos... Tipo Lian gong. Ao seu lado uma outra está fazendo polichinelos. Enquanto isso uma outra está fazendo Ginastica Laboral. E tudo isso regado a muita conversação. Nossa, e como elas falam! Ninguém entende o que elas estão falando... Muito menos fazendo.rss
Teve um dia que veio uma mulher diferente. Diferente não na origem. Diferente porque ela sabia o que estava fazendo, ou pelo menos o que todos deviam fazer.rss
Deve ser formada em Educação Física. Ela falava e fazia gestos bem lentos, tentava ensinar e direcionar o grupo. Pensei... Que bom que alguém veio colocar ordem nessa confusão.rss
Esse foi o dia que tinha mais pessoas. Percebi que ela conseguiu manter uma sincronia. Pelo menos no curto espaço de tempo em que passei pela praça. Mas não sei não... Ela nunca mais voltou.
E assim, o tempo vai passando. O ano já está acabando, e elas continuam ali, firmes, fortes, perseverantes. Cada uma fazendo os exercícios, à sua maneira.rss
Eu me alegro quando as vejo, já me acostumei com essa cena cotidiana. A presença delas por ali, já faz parte do cenário local. 
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