segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O maior susto da minha vida!

Agora que a adrenalina está baixando - e a tremedeira está começando - acho que dá para narrar o que aconteceu.
Ontem passei um dos maiores sustos da minha vida, pois, o que era para ser um simples passeio no calçadão, quase se tornou uma tragédia.
Não era nem 20h e, como a moçada já estava pronta, resolveram sair na frente. Foram... Bruno, Fernando, Danilo, Letícia e o Henrique. Uns 15 minutos depois fui eu, a Adriana e o Zé. A moçada queria comprar algumas coisinhas que tinham visto no dia anterior. Eu e a Adriana fomos mais especificamente para comprar um macacãozinho. O Henrique foi pra comer.   
Chegando ao barracão eu e a Adriana experimentamos e compramos o macacão. Após encontrar o Henrique que já tinha comido, fomos encontrar a moçada. O Bruno e o Fernando iam comer. Conversamos e resolvemos voltar para o apartamento antes deles.
Voltamos caminhando – lentamente - e conversando. O Henrique e a Adriana, ora do nosso lado, ora alguns passos na nossa frente. As ruas estavam meio desertas. Eu só pensava na moçada caminhando por ali. Conforme a gente caminhava, meu coração ficava cada vez mais apertado. 
E quanto mais nos aproximávamos do apartamento mais eu ficava agoniada. Queria voltar!
Na ultima esquina antes do prédio onde estávamos hospedados, passamos por dois travestis. Onde foi que nos enfiamos. Pensei. E mais próximos do prédio, talvez a uns 30 metros, do outro lado da rua, vi uma turminha – meio suspeita – sentados e pareciam planejando algo. Eles observavam o Henrique e a Adriana que estavam um pouco a nossa frente, em seguida olharam para mim, e o Zé.
Bom, nessa hora (já apavorada) falei para o Zé: _Vai e fala para o Henrique que vamos ter que voltar para buscar os meninos. E tudo que vou relatar abaixo aconteceu, acredito que em menos de um minuto.
O Zé se adiantou para falar com o Henrique. O Henrique estava chamando no interfone. A Adriana falando pra mim que a chave estava comigo. Olhei para o Zé e na mão dele. Lembrei que tinha colocado a chave no bolso da minha jaqueta. Estava pegando ela e vi a gang vindo em nossa direção. De repente um veio correndo - com a mão por baixo da blusa - berrando alguma coisa. Não sei se foi “perdeu”, ou “assalto”, ou “entrega”. Os outros estavam se aproximando, meio que cercando a gente. Nisso o Henrique começou a berrar e foi pra cima deles. Eu não conseguia me mexer e nem falar. Mil coisas passavam na minha cabeça.  Olhava para os outros – mais focada em um que estava próximo de mim, e do Zé. E se algum deles estiver armado e começar a atirar na gente?
A Adriana falava em desespero para eu abrir o portão e entrar. Quem disse que nessa hora a gente acerta o buraco da chave? Quem disse que acertando a gente consegue girar a chave? Ela berrava para eu entrar. Eu olhava toda aquela correria. Aquela gritaria. Além de pensar nos meninos e a Letícia que deviam estar vindo. Que desespero!!
Eu já tinha aberto o portão e subia correndo para abrir a porta de vidro que dá acesso ao saguão do prédio, quando vi a Eliane e o Gabriel descendo correndo. Ela ouviu a gritaria pelo interfone. Nisso a Silvana que estava no salão de jogos também chegou.
Vimos o Henrique voltando e fomos saber dele o que fazer.
Bom, ele com a experiência que tem, disse que viu que o assaltante que veio pra cima da gente não estava com arma de fogo, por isso ele partiu pra cima. Só que eu não sabia. E não sabia também que o Henrique estava só com o canivete.
Eu continuava desesperada por causa dos meus filhos e Fernando. Pedia que alguém fosse buscá-los. Enquanto o Henrique foi pegar o revolver, o Zé ligou para a Letícia para saber onde eles estavam. Estavam próximos, porém, vendo que vinham algumas pessoas em direção deles, e já sabendo mais ou menos o acontecido, voltaram (orientados pelo Zé) para esperar em frente ao Hotel Casa Grande.
Foi o Gabriel e Henrique encontrar a moçada. O Zé ficou com a chave e, no celular, orientava a Letícia para aguardar. Eu, Silvana, Adriana e Eliane ficamos de olho para ver se a gang voltava.
Quando já estávamos todos reunidos e, diante da hipótese levantada pelo Henrique de que provavelmente a gang voltaria e, provavelmente armada, concordamos em sair imediatamente do prédio.
E assim, enquanto o Bruno e o Gabriel colocavam o carro que estava na rua, dentro do estacionamento do prédio, nós subimos para fazer as malas. Carregamos os carros e em menos de 20 minutos estávamos saindo, escoltados pelo Henrique que ficou do lado de fora vigiando. Momento tenso!
Agora que tudo já passou, inclusive a tremedeira, eu fico pensando em todas as outras possibilidades. Que... "Se" o Henrique estivesse armado ele mataria todos. Que... "Se" o Henrique não tivesse voltado comigo, Adriana e o Zé não sei o que teria sido. Se, se... Se.
E diante de tantos "se" a única confirmação que tenho é que Deus nos protegeu. E iluminou o Henrique para reagir da melhor maneira possível. E o que realmente importa é que voltamos todos sãos e salvos para casa.
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