terça-feira, 16 de setembro de 2014

Carta ao Governador

Excelentíssimo Senhor Governador,

Sei que não devia estar escrevendo diretamente para o senhor, e sim para os seus secretários. Mas, acredito que nem um, nem outro vão ler o que vou escrever. Provavelmente, nem o senhor. Então não vou perder meu tempo escrevendo separadamente.
Espero que o senhor entenda o que vou escrever mais como um desabafo, pois, sei que para tudo tem justificativa e nada pode ser feito da noite para o dia. Como também, sei que nem tudo depende do senhor, ou está sob o seu controle.
A minha história é essa:
No último Sábado fui para o Guarujá com minha família. Entre eles, minha mãe e meus filhos. Ao todo estávamos em dezesseis pessoas.
O tempo estava ótimo. Não choveu. Ainda bem. Sei bem que o senhor tem sido cobrado até mesmo porque não chove.rss Aí sim eu acho uma grande ignorância.
Passamos dois dias com muito sol, onde eu e meus familiares nos divertimos bastante.
Porém, infelizmente na noite de Domingo, voltando de um passeio no calçadão, fomos abordados por uma gang quando estávamos para abrir o portão. Eles vieram correndo e gritando aquelas palavras que fazem parte do linguajar deles. Nossa sorte é que, estava com a gente o meu cunhado que é Sargento da Polícia. E mais sorte ainda porque ele não estava com arma de fogo. Bom, ele reagiu e foi para cima deles. Com a gritaria, correria e pessoas saindo nas sacadas dos prédios para olhar, a gang saiu em disparada.
Agora que tudo passou, sabemos que tivemos sorte também, por eles não estarem com arma de fogo. Não vou me alongar muito com detalhes dessa abordagem que sofremos. Minha indignação é que meu cunhado ligava para a polícia para virem ali, para nos darem um apoio para irmos embora, pois ele acreditava que a gang iria voltar, e dessa vez armados. O senhor acha que ele conseguiu ser atendido no número 190? Infelizmente, não.
Soubemos por um vizinho que o que aconteceu com a gente é constante lá na praia. Que é normal os turistas serem abordados, isso quando não entram e roubam tudo dentro da casa ou apartamento.
É lógico que fiquei com muito medo e, no que depender de mim, não colocarei mais as pessoas que amo em situação de risco. Ou seja, não irei e nem aconselharei o Guarujá.
Posso estar sendo radical. Sei que assaltos ocorrem todos os dias em todos os lugares, porém, acho que em cidades turísticas, a proteção devia ser redobrada.
Para encerrar essa parte da minha história, saímos correndo do apartamento em que estávamos hospedados, com medo de represália.
E adivinha o senhor o que encontramos pela frente? Um congestionamento. Ah. O senhor vai dizer. _Mas isso é a coisa mais natural. Pode até ser. Se fosse feriado. Mas, isso foi em um fim de semana normal. Não tenho mais idade e disposição para ir para o litoral em feriados. E outra, estive lá no ano passado - na praia de Pitangueiras e fizemos um retorno tranqüilo.
Sei também que o senhor vai dizer que as estradas estão em obras. Eu sei. Eu vi. Inclusive que estão mal sinalizadas. Ficar perdido ali não é difícil.
Agora imagine o senhor que nós estávamos tensos com o que tínhamos acabado de passar e para ajudar, somos obrigados a enfrentar um congestionamento.
Ficamos o tempo todo em contato uns com os outros. Sei que mais de uma hora depois eu já não me aguentava de vontade de ir ao banheiro. Já suando frio, fomos obrigados a parar em um acostamento. Fiquei constrangida, afinal tenho 47 anos e sou obrigada a passar por isso. Isso sem falar que no outro carro, minha filha que já não aguentava mais optou por cortar uma garrafa e fazer xixi dentro. E eu pergunto: Que loucura é essa? Quanto mais evoluímos, mais decaímos? E o senhor acha que fizemos isso porque optamos por não parar em um posto? Imagine! Sem dúvida se tivesse um posto pararíamos. Até mesmo para esperar o congestionamento diminuir. Mas não, eu e minha filha apelamos porque, logo que pegamos o congestionamento combinamos de parar no primeiro posto que avistássemos. E sabe qual foi esse posto? Ou onde ele estava?... Muitas horas depois. Muitos quilômetros depois. O primeiro e único posto estava na Rodovia dos Bandeirantes. E foi onde, já exaustos todos nós paramos. E de lá nos despedimos, para assim, cada um seguir para a sua casa.
Final da história, como resido em Campinas, perto do centro, cheguei à minha casa às 4 horas da madrugada. Mais de 5 horas de viagem em um dia normal. Mal não?
Sei que me alonguei e que, com isso o senhor pode ter perdido o foco, e não estar sabendo o motivo desse meu desabafo. Eu digo, eles são dois. Falta de Proteção e Falta de Posto, mais especificamente... Banheiro.
Senhor Geraldo Alckmin, sei que, o que relatei acima devia estar endereçado à Secretaria de Segurança Pública e à Secretaria de Obras. Mas, prefiro me dirigir diretamente ao senhor, por consideração, afinal, eu tenho um tremendo apreço pela sua pessoa.
Sei que talvez o senhor nem tome conhecimento da minha mensagem. Não tem problema. O importante é que eu desabafei.
E o que passei com a minha família não muda em nada a minha intenção de votar no senhor.
E termino desejando-lhe boa sorte. Que Deus Pai o proteja, assim como protegeu a mim, e aos meus familiares neste fim de semana!


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