“Oleanna” obra
escrita por um dos maiores mestres americanos da linguagem, David Mamet, mostra
encontros de uma aluna com seu professor, aborda questões sobre diferenças
culturais, comportamentais e se debruça sobre o que seria o “politicamente
correto”. A direção é de Gustavo Paso, que conta no elenco com Marcos Breda e Luciana Favero. Com
realização da Cia Teatro Epigenia e produção local da BR Produtora.
A peça é
apresentada em três encontros de uma aluna que cobra do seu professor um melhor
empenho dele na arte de ensinar, pois ela está prestes a ser reprovada e não
consegue aprender nada do que o seu mestre lhe ensina.
No primeiro
encontro entre eles, o professor lhe diz: “Acho que você está com raiva.” Já no
terceiro e derradeiro encontro, é ela quem diz: “Entendo a sua raiva.” Há
outros momentos em que eles se assemelham ou tornam-se mais próximos um do
outro no desenrolar da trama. E momentos em que diferem ou trocam de posição.
Diante de uma
série de atos desordenados e palavras sem clareza e equivocadas, a aluna
questiona se não existem regras. Para a surpresa dela, seu mestre lhe afirma
que ele pode violar todas elas. A trama se desenrola a partir de embates
fortes, com proporções nunca imaginadas, fazendo-nos refletir sobre nossas
diferenças, valores culturais, comportamento e principalmente sobre a definição
de “politicamente correto”.
Trata-se do
poder, da relação subordinado, do descontrole emocional, trata não exatamente
da derrota da razão, mas da derrota da razão cega, da razão onipotente, da
razão arrogante.
Não é de se
surpreender o fato de que David Mamet originalmente deu à sua Oleanna o
subtítulo de “Uma peça sobre poder”. Historicamente, a batalha do politicamente
correto visava o poder – cultural, político, econômico, social, sexual, pessoal
– e como sempre aconteceu nas chamadas guerras da cultura, a linguagem era
tanto a principal arma como também o território a ser conquistado.
De acordo com a
crítica do New York Time: “Mamet dá um soco na boca do estomago... e no
intelecto. Um malicioso e oportuno dialogo sobre o politicamente correto”.
A
incomunicabilidade humana
O verdadeiro
drama de Oleanna reside na forma como os personagens, tendo a possibilidade de
se aproximar e de se compreender mutuamente, decidem que as suas diferenças são
irreconciliáveis, acabando por se mostrar incapazes de se comunicarem. A
verdade é que todo tem o direito de se expressar, mas qual o limite? Ate onde
podemos ir?
A peça nos da
uma visão clara do quanto precisamos estar abertos e dispostos a realmente
ajudar o outro. Que a experiência e inteligência de cada um deve ser usada a
favor do outro e não de si mesmo.
David Mamet é um
dos maiores mestres americanos da linguagem, não só por possuir seu próprio
estilo distinto, mas também pela sua sensibilidade apurada em perceber como a
linguagem é usada para manipular e dominar.

Quando a Karen mandou torpedo dizendo que tinha ganhado ingressos, e perguntou se eu queria ir ver essa peça, titubeei por alguns segundos. Depois da última, estava um pouco "esperta".rss
Enfim aceitei, afinal não ia pagar nada, além de conhecer o Marcos Breda que eu conhecia das novelas.
Dei uma lida na sinopse, porém, garanto que, ler o que está escrito na sinopse, ou mesmo esse texto (enorme) que coloquei acima, não exprime o conteúdo dessa peça.
Quando a Karen mandou torpedo dizendo que tinha ganhado ingressos, e perguntou se eu queria ir ver essa peça, titubeei por alguns segundos. Depois da última, estava um pouco "esperta".rss
Enfim aceitei, afinal não ia pagar nada, além de conhecer o Marcos Breda que eu conhecia das novelas.
Dei uma lida na sinopse, porém, garanto que, ler o que está escrito na sinopse, ou mesmo esse texto (enorme) que coloquei acima, não exprime o conteúdo dessa peça.
A peça passa por fases. No início chato, tedioso, cansativo. Ficar ouvindo os dois (professor e aluna) falarem, falarem, falarem... E olha que quando a peça estava mais ou menos na metade, o Zé chegou a comentar que achava que devíamos dar um tempo de teatro.rss
Mas, logo após esse comentário e, com o desenrolar da história a confusão foi se formando e começamos a ficar entusiasmados. Para não dizer, enfurecidos, pasmos com o que estávamos vendo e ouvindo. E quase no final da peça, todos nós estávamos atônitos. A gente queria se manifestar, seja chingando, ou mesmo querendo subir no palco para dar uns chacoalhões nos personagens. Aqui e ali ouvia-se. Mata ela! Que louca! De onde ela tirou isso! etc.etc.
Acreditem, foi assim mesmo. Imaginem uma pessoa que não entendeu nada do que o professor tentou dizer. Ou fazer. Aliás, entendeu tudo errado.
O fim dessa história, eu fico tentadíssima a contar. Porém, essa é uma peça que se eu pudesse obrigaria todos a irem ver.
Quando tudo terminou a nossa vontade era de matar a aluna. Depois conforme os ânimos foram esfriando, passamos a rever também as atitudes do professor e concluímos que ele errou tanto quanto ela.
Eu acho que... Ele errou ao chamá-la para conversar a sós na sala dele. Errou quando, querendo ajudá-la, disse que quebraria regras. Errou ao dizer que gostava dela. Ela já havia dito que não compreendia muitas coisas e tudo isso contribuiu para confundir ainda mais a cabeça dela.
E para concluir uma surpresa... Os atores - juntamente com o diretor - convidam o público para um debate. Tenho ido ao teatro sempre que possível e é a primeira vez que acontece isso. Aos poucos as pessoas foram se manifestando. Alguns parabenizaram os atores e o diretor, pela peça. Outros pela iniciativa em oferecer ao público a oportunidade de expressarem a sua opinião. Eu, fiquei quietinha, só ouvindo.
Sei que saímos de lá pensando, conversando sobre a peça. E confesso, achei que ia ser sacal e, para minha surpresa, uma das melhores peças que assisti.
E para concluir uma surpresa... Os atores - juntamente com o diretor - convidam o público para um debate. Tenho ido ao teatro sempre que possível e é a primeira vez que acontece isso. Aos poucos as pessoas foram se manifestando. Alguns parabenizaram os atores e o diretor, pela peça. Outros pela iniciativa em oferecer ao público a oportunidade de expressarem a sua opinião. Eu, fiquei quietinha, só ouvindo.
Sei que saímos de lá pensando, conversando sobre a peça. E confesso, achei que ia ser sacal e, para minha surpresa, uma das melhores peças que assisti.
Assistiria novamente, principalmente nas outras versões.
Fonte: http://maisexpressao.com.br/noticia/com-marcos-breda-e-luciana-favero-peca-oleanna-e-destaque-em-agosto-no-teatro-liceu-20405.html
Sobre a BR Produtora
Criada há quase 30 anos, a BR Produtora tem realizado inúmeras ações culturais em todo Brasil. À sua história somam-se mais de 1.200 eventos e espetáculos apresentados, entre eles o maior fenômeno do teatro brasileiro, a peça “Trair e Coçar é só Começar”.
A empresa tem em sua história turnês de renomados artistas brasileiros, entre eles Marisa Monte e o ícone Roberto Carlos, além de artistas internacionais, como Deep Purple, Roger Hodgson (Supertramp) e Julio Iglesias, e realiza diversos projetos culturais, entre elas, a produção de exposições internacionais como “O Fantástico Corpo Humano”.
Ficha Técnica
TEXTO DAVID MAMET
TRADUÇÃO MARCOS DAUD
DIREÇÃO GUSTAVO PASO
CENÁRIO GUSTAVO PASO E TECA FICHINSKI
FIGURINOS JO RESENDE
ILUMINAÇÃO PAULO CESAR MEDEIROS
TRILHA COMPOSTA ANDRE POYART
ASSISTENTE DE DIREÇÃO MONICA VILELA
ASSESSORIA DE IMPRENSA ALESSANDRA COSTA
Sobre o autor
David Mamet é considerado um dos mais famosos dramaturgos americanos contemporâneos. Atualmente trabalha na pré-produção BLACKBIRD, em que assina roteiro e direção e que tem estreia para 2015.
Sobre o diretor
Diretor, cenógrafo e dramaturgo, Gustavo Paso dedica-se a direção de espetáculos desde o começo dos anos 90 como encenador-dramaturgo. Hoje dirige o Teatro Glaucio Gill junto com a atriz e produtora Luciana Favero. Além de criador de projetos especiais, tanto de teatro como de eventos, cobre todas as áreas de produção, tais como Leis de Incentivo a Cultura e Esporte nas três esferas, municipal, estadual e federal.
Sobre Marcos Breda
Ator, professor universitário e produtor teatral, iniciou sua carreira em 1981. Breda soma em seu currículo 32 peças teatrais, 30 filmes e 36 novelas, e ainda dezenas de participações em programas de várias emissoras como Casos e Acasos, Faça a sua História, Dicas de um Sedutor, Sob Nova Direção, Você Decide, Retrato Falado, Casseta & Planeta, Os Trapalhões, Linha Direta etc. Coleciona ainda prêmios no cinema, teatro e televisão, entre eles: Melhor Profissional de Cinema Gaúcho, Prêmio Prawer/APTC no 28º Festival de Cinema de Gramado/2000 pelos filmes Sargento Garcia e Dois Filmes numa Noite.
Sobre Luciana Fávero
Atriz nascida na cidade de São Paulo, Luciana Favero chegou ao Rio de Janeiro em 1998 com o espetáculo “Péricles”, direção de Ulysses Cruz. Atualmente se divide entre o trabalho de atriz, produtora e a direção artística do Teatro Glaucio Gill. Dentre espetáculos que realizou como atriz: “Oração” de Fernando Arrabal “Cemitério dos automóveis” de Fernando Arrabal, “Dom Casmurro” de Machado de Assis, Valsa nº 06 de Nelson Rodrigues, dentre outros.
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