sábado, 31 de outubro de 2026

A Última Sessão de Freud

O filme "A Última Sessão de Freud" (Freud's Last Session, 2023) é um drama dirigido por Matt Brown, baseado na peça de teatro homônima de Mark St. Germain e inspirado no livro "Deus em Questão" (The Question of God), de Armand M. Nicholi Jr.

Elenco Principal: Anthony Hopkins interpreta Sigmund Freud e Matthew Goode interpreta C.S. Lewis; Liv Lisa Fries vive Anna Freud.

Premissa / Trama: O filme retrata um encontro ficcional (os dois reais pensadores nunca se encontraram pessoalmente) em Londres, no dia 3 de setembro de 1939 — o exato dia em que a Grã-Bretanha declara guerra à Alemanha no início da Segunda Guerra Mundial.

O Debate Central: Sigmund Freud (um ateu convicto e envelhecido, lidando com um doloroso câncer de boca) recebe em sua casa o jovem professor de Oxford C.S. Lewis (ex-ateu que se converteu ao cristianismo e, mais tarde, ficaria famoso por criar As Crônicas de Nárnia). O embate gira em torno de duas grandes visões: a existência de Deus, a fé versus a razão, o sentido do sofrimento humano e a moralidade, tendo como pano de fundo a tragédia iminente da guerra e as relações familiares de Freud.

Fiquei sabendo da existência deste filme na noite em que fomos à casa dos amigos Edson e Rose. Eu tinha ido devolver um livro, e o Edson comentou que havia uma peça de teatro e um filme baseados na obra. Como eu tinha gostado muito da leitura, procurei pelos dois na internet assim que pude.

Descobri que a peça já esteve em cartaz em Campinas anos atrás. Já o filme ainda está disponível no catálogo do Prime Video (mas prestes a sair!). Por isso, combinei de assistir na casa do Bruno; estou enfrentando um problema de compatibilidade entre o meu celular e a televisão, o que me impede de espelhar o conteúdo. Poderia ter assistido na tela pequena do celular? Poderia. Mas não queria! 😄

Avisei os meninos que talvez o filme fosse maçante para eles. Deixei claro que não me importaria de assistir sozinha e que eles podiam seguir com a rotina deles, fazendo de conta que eu nem estava ali. O Bruno foi tomar banho e acabou cochilando; já o Victor ficou na sala e acompanhou alguns pedaços.

Mas vamos ao que achei do filme!

Gostei muito de rever o ator Matthew Goode no papel de C.S. Lewis — logo que ele apareceu, lembrei dele na série Downton Abbey. E o Anthony Hopkins nem precisa de elogios, não é mesmo?

A fotografia do filme é bem escura, tanto nos ambientes internos quanto nas ruas. Isso não chega a ser uma surpresa, já que a história se passa em plena Segunda Guerra Mundial. Não é o meu estilo favorito de imagem, mas entendo a escolha artística. O diálogo entre os dois personagens é bastante acirrado, mas fiel ao que li. O diretor soube transpor muito bem o conteúdo do livro para as telas.

Um ponto que me causou estranheza foi o relacionamento entre Anna (filha de Freud) e Dorothy, pois o livro quase não menciona o assunto. Para tirar a dúvida, recorri à internet e descobri o seguinte:

“Durante décadas, biógrafos e os registros oficiais da época descreveram o vínculo entre elas cautelosamente como uma 'amizade íntima' ou 'companheirismo' — um reflexo da época e do contexto da própria família Freud. No entanto, historiadores e psicanalistas contemporâneos reconhecem a união das duas como uma parceria conjugal e um dos primeiros casais homoafetivos registrados na história da psicanálise.” 

Minha estranheza inicial vinha da impressão de que Freud não aceitava a relação delas. Porém, a visão dele era bem diferente:

“Freud NÃO considerava a homossexualidade uma doença, um vício, um crime ou uma degeneração moral, rompendo com a visão patologizante dominante da sexologia do final do século XIX.”

Enfim, gostei muito da experiência. O filme apresenta duas figuras brilhantes que eu adorei conhecer mais a fundo. Agora só falta conseguir assistir à peça! 🎭

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