quarta-feira, 2 de março de 2016

Depois do desfile - tentando voltar ao hotel.

Neste post quero contar sobre o apuro que nós passamos, do momento em que saímos do sambódromo até chegar à estação das barcas.
Tudo começou quando deixamos o sambódromo. Isso foi logo que a Unidos da Tijuca começou a desfilar. Queríamos evitar a multidão que provavelmente sairia no final. A Unidos começou a desfilar quatro e meia. Então saímos +/- cinco da madrugada. Caminhamos umas duas quadras e então o Zé perguntou para um guarda onde poderíamos pegar um táxi para chegar até a estação. Ele não soube explicar direito. Falou para continuarmos em frente, pois, ali (onde ele se encontrava) estava impedido, então provavelmente mais a frente à gente encontraria um táxi. Caminhamos mais um pouco e nada de táxi. Perguntamos novamente. Dessa vez o guarda falou para atravessarmos a passarela e não soube explicar direito como chegaríamos à estação. Até então a gente não estava com medo, pois, além dos guardas tinha bastante gente pela rua.
Mas começamos a ficar preocupados com a falta de informação. A única certeza que a gente tinha, é que no dia anterior, saindo da estação, pegamos uma reta só até o sambódromo. Então o mais correto seria a gente continuar sempre reto. Continuamos caminhando e perguntando. E ninguém nos dava uma informação precisa. Numa dessa começamos a ficar nervosos, pois, à medida que nos afastávamos do sambódromo, a quantidade de pessoas andando pelas ruas, diminuía. Depois de muito caminhar vimos um táxi parado. Fomos até ele e o motorista disse que estava esperando alguém. A gente imaginou que nenhum deles queria nos levar porque da estação até a Sapucaí são três quilômetros. Eles deviam estar querendo pegar corrida longa. Vimos outro e fomos falar com o motorista. Esse motorista abençoado falou que não podia nos levar porque estava tudo interditado e ele não sabia como atravessar para o outro lado. Outro lado? Como assim? Foi ai que a ficha caiu. No dia anterior, na caminhada que fizemos da estação até o sambódromo, nós tivemos que contornar o mesmo, pois a nossa entrada era do outro lado. Pois bem. Nós saímos, e acho que de tão cansados nem pensamos. A gente tinha que ter dado a volta no sambódromo. Ou seja... Nós estávamos caminhando no sentido contrário. Estávamos nos afastando cada vez mais da estação.
E qual a solução? Voltar para o sambódromo. E foi o que fizemos. Juro que eu já não aguentava mais andar. Já estava com um pouco de medo. E um pouco de raiva, de todos que não nos orientaram direito. Minha vontade era de sentar na calçada e esperar o dia clarear. Mas, já tinha muita gente pela calçada. Melhor não...
Sei que quando chegamos no sambódromo, a Unidos da Tijuca já tinha terminado seu desfile. As arquibancadas já estavam vazias.
Vi uma multidão se dirigindo para os pontos de ônibus. E o que tinha de gente tentando pegar táxi. Olha... Parecia o fim do mundo!
Caminhei em direção de uma policial feminina e perguntei como a gente conseguiria chegar à estação. Ela falou as opções: Tentar pegar um ônibus. Tentar pegar um táxi. Mas, ela já adiantou que taxista algum ia querer levar a gente até a estação. Até Niterói podia ser. Mas até a estação...
Sem um pingo de paciência, eu perguntei: _E para ir a pé? Ela falou que era longe. Uns 40 minutos. Não quis saber. Perguntei como. Ela falou que era para seguir os postes (mostrando os postes) até a igreja da Candelária. Chegando nela era para virar à direita.
Foi o que fizemos. No início tinha muita gente na rua, e foi diminuindo aos poucos. Eu via lá longe a torre da igreja, mas, dava a impressão de que, quanto mais a gente caminhava, mais a igreja se distanciava. Eu só pensava que, se fosse preciso correr, eu não ia conseguir.
Enfim, conseguimos chegar sãos e salvos na estação das barcas, às 6h40min.
E após a travessia ainda teríamos que pegar um táxi para, enfim chegar ao hotel.
E quando finalmente chegamos, entramos desesperados. Eu não sabia o que fazia primeiro. Tomava dorflex. Tomava banho. Massageava os pés. Eu estava embriagada de sono, cansaço, dor.  Após o remédio, o banho e massagear os pés, caí na cama e desmaiei.
Depois de todo o sufoco... Finalmente dentro da barca. Mortos de cansaço!
Bom, relatei tudo isso, para expor a minha indignação com a falta de organização e a falta de preparo das autoridades, para orientar o turista adequadamente.
Para um evento desse porte, eu acho que deveria ter ônibus, táxis, vans... Sei lá. Qualquer meio de transporte que levasse o turista de volta ao hotel, à estação de barcas, ou onde ele quisesse – ou precisasse ir. Só que não encontramos nada disso. Pelo menos não o suficiente para atender a todos.
E não foi só conosco. Aquele casal que encontramos na ida e que estavam hospedados no mesmo hotel, disseram que conseguiram pegar o táxi logo que saíram. Só que o taxista ficou dando voltas com eles. Talvez imaginasse que eles não desconfiariam. Eles reclamaram, e o taxista deixou-os bem longe da estação. Alegou que não podia se aproximar mais, pois, a região estava impedida.
Olha...  Eu posso estar sendo injusta, mas... Tudo isso que aconteceu serviu para fortalecer a minha visão sobre os cariocas. Eu sinto que eles não se preocupam (ou não tem muito interesse) em ajudar o turista. Não vou generalizar, pois, nas três vezes que estive no Rio, um ou outro (quase) compensou a grosseria ou má vontade dos outros.

Sei que ficamos indignados. Se nós passamos esse aperto...  Imagine os estrangeiros.
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