Data
de lançamento: 1976 | No cinema | 2h 25min |
Direção:
Akira Kurosawa | Roteiro Akira Kurosawa, Yuri Nagibin
Elenco:
Yuri Solomin, Aleksandr Pyatkov, Maksim Munzuk
Gênero:
Aventura, Drama
Sinopse: O capitão Vladimir Arseniev (Yuri Solomin) é enviado pelo
governo soviético para explorar e reconhecer as montanhas da Mongólia,
juntamente com uma pequena tropa. Em meio a expedição eles encontram Dersu
Uzala (Maksim Munzuk), um caçador que vive apenas nas florestas. Percebendo que
Dersu conhece bastante o local, o que pode facilitar o trabalho, o capitão lhe
oferece que acompanhe a tropa até o término da missão. É o início de uma forte
amizade entre o capitão e Dersu, que aos poucos demonstra suas habilidades.
Eu devia
ter uns dez anos quando minha tia Janete me levou ao cinema, no centro da
cidade, para assistir a esse filme. Nunca mais me esqueci daquela sessão,
tampouco de nós duas caminhando pelas ruas vazias e silenciosas da cidade —
provavelmente em um fim de semana.
Desde
que comecei a garimpar relíquias, sempre procurei por esse DVD; queria muito
tê-lo na minha coleção. E não é que o encontrei ontem, em um sebo no centro de
Campinas. Imagine a minha felicidade! O Zé me contou que o filme também o havia
marcado na juventude e que guardava o desejo de revê-lo. Assim que lhe mostrei
a capa, o entusiasmo foi imediato, e escolhemos assistir hoje no final da tarde.
Lançada em
1975, a obra carrega a poesia do que é calmo, livre das parafernálias
tecnológicas modernas. O ritmo das tomadas evidencia isso de forma nítida: a
câmera permanece longos instantes estática, contemplando um ponto ou uma
pessoa. Sem pressa. Sem a ansiedade contemporânea. Uma verdadeira lição para os
dias de hoje.
O filme se
agiganta nos pequenos gestos. Como na cena em que Dersu repara o telhado de uma
cabana isolada e pede ao capitão um pouco de arroz, sal e fósforo, apenas para
deixar ali, como mantimento para o próximo viajante que buscar abrigo. Ou no
choque cultural de Dersu ao chegar à cidade e ver a água ser comercializada;
ele simplesmente não compreende a lógica de se pagar por algo que corre livre
nos rios. O mesmo estranhamento se repete diante do comércio de lenha.
A amizade entre Dersu e o capitão — a quem ele chama carinhosamente o tempo todo de "Kapitan" — é de uma sensibilidade comovente.
Que privilégio e que emoção resgatar um filme que transborda tantas memórias e ensinamentos. Precisamos, urgentemente, de mais filmes assim.



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