"Haverá algo mais terrível que uma volta que não se consegue levar a
cabo?"
Perambulando pela solidão da casa, com o vento Carso uivando lá fora e o
outono apagando lentamente as cores do jardim, uma velha senhora, receando ter
pouco tempo de vida pela frente, decide escrever uma longa carta à jovem neta
distante, por ela criada após a morte da mãe.
Trata-se de uma carta de amor, uma tentativa de recuperar um
relacionamento comprometido por incompreensões mútuas.
Através da prosa aparentemente singela, mas contundentemente poética de
Tamaro, vemos descortinar-se tudo quanto por gerações ficou oculto pelo manto
hipócrita da moral e dos costumes. A avó nada esconde, ainda que com o risco de
parecer dura e impiedosa.
Contudo, a intenção dessa mulher, que viu passar diante de seus olhos
quase um século de história, que assistiu a radicais mudanças de valores, não é
chocar.
Canto de amor à vida, ao perene ciclo em que a renovação se impõe à
morte, está carta quer mostrar a sua destinatária - que um dia por certo a lerá
- que nesta vida só vale a pena a viagem que fazemos ao âmago de nós mesmos, em
busca da voz original que jaz nas profundezas de cada ser.
Estava lendo um livro de crônicas da Martha Medeiros e, em uma delas, a
Martha citou esse livro. Coloquei na minha lista de livros
"desejados". E neste dia, comprei no sebo que o Bruno trabalha. Não
tinha com a capa que gostei mais, mas para ler - e ver se realmente é bom -
qualquer capa estava boa.
Eu fiquei animada ao ver que se trata de uma avó que escreve cartas para
a neta. Eu sou da geração que escrevia cartas e por isso sou apaixonada por
livros desse gênero.
Eu acho que colocar os sentimentos no papel é romântico, poético e até
mesmo revelador, como foi no caso desse livro.
Iniciei a leitura hoje, após o café. Pausei para os compromissos do dia e
noite e terminei antes de me deitar. O livro tem somente 136 páginas. Letras
grandes. Por isso foi uma leitura rápida, além de gostosa.
Olga (a avó) escreve para a neta que foi para a América, mas ela não vai
enviar as cartas. A intenção dela é que a neta leia somente depois de sua
morte. Sendo assim ela revela seus mais profundos e sinceros sentimentos. E
mais ainda, seu maior segredo. O de que teve um amante - Ernesto - que é o pai
de Ilaria, sua filha (mãe da neta).
Nas cartas Olga fala de sua infância, dos seus pais, do marido, Augusto.
Do relacionamento com cada um desses personagens e a influência deles na
personalidade dela.
Eu gostei demais do livro - de ler as cartas. E vou falar... Fiquei
curiosa por saber a reação da neta ao ler as cartas. Eu acho que a autora podia
ter escrito uma sequência.
Pós escrito de 05/04: Levei o livro para a Silvana ler e guardar na biblioteca dela – ou da casa da minha mãe.




