Pequenas doses
"Não importa o que você escreva, colocar palavras no papel é uma forma de terapia que não custa um centavo." Diana Raab
sábado, 1 de agosto de 2026
Mais um encontro inesperado
segunda-feira, 27 de julho de 2026
Gilmore Girls: Tal Mãe, Tal Filha
Amy Sherman-Palladino é uma das mentes mais criativas,
influentes e inovadoras da televisão contemporânea. Nascida em 1966, é
conhecida principalmente por criar produções televisivas que não apenas cativam
o público, mas também se destacam pela originalidade e profundidade de seus
personagens, entre as quais Gilmore Girls, série que conquistou
milhares de fãs leais desde 2000, ano em que foi lançada.
Gilmore Girls é uma celebração do relacionamento incomum das
garotas Gilmore, mãe e filha cuja amizade é regada a muito humor e
uma dose cavalar de café. A história se passa em uma charmosa cidade fictícia
chamada Stars Hollow - daquelas que exalam um clima caloroso e de felicidade,
onde todos se conhecem. É ali que Lorelai e Rory vivem seus altos e baixos
enquanto enfrentam desafios familiares e cultivam aspirações pessoais.
Tão apreciada por seus diálogos rápidos e afiados e pelas mais diversas
referências culturais, a série ganhou uma coleção de livros adaptados de seus
roteiros e histórias, proporcionando aos fãs a chance de reviver a magia única
e os laços emocionais que esta produção atemporal oferece.
Nesse primeiro volume traz alguns dos momentos mais emocionantes da primeira temporada do ponto de vista de Rory, entre os quais sua entrada em Chilton, escola preparatória de elite, as desavenças ácidas com Paris e Tristin e o surgimento do primeiro amor.
Acredite se quiser! Li este livro em cinco dias. Comecei a ler no dia 22
e terminei ontem! Na verdade, foi em menos tempo, porque houve dias em que não
consegui ler. Que leitura deliciosa! O livro tem somente 152 páginas e está
dividido em 19 capítulos. Nas últimas quatro páginas, há algumas fotos, o que
tornou a leitura mais fácil e rápida. E tem mais... Eu adoro estas duas. Eu e o
Zé assistimos à série inteira e, até hoje, em muitas situações, nos lembramos
delas. Quando o Zé pega um café em uma xícara maior para mim, a gente lembra da
xícara delas. Quando eu e o Zé escolhemos assistir a um filme antigo, que já
vimos antes, lembramos delas. Sempre me lembro do fato de a Rory ter sempre um
livro na mochila. Imagine se, em vez de um celular, cada pessoa carregasse
consigo um livro. Seria bom demais!
Eu gosto tanto da série que comprei os DVDs e fiquei muito feliz quando ganhei de presente de aniversário e de Dia das Mães, do Bruno e do Victor, o box com três livros. Sobre esse volume, além de ter sido muito bom rever alguns personagens, me diverti bastante com o raciocínio rápido e cômico da Lorelai. Ela é fantástica!
domingo, 26 de julho de 2026
Domingo de jogo Danilo e eu com o Henrique
Faz tempo que não vou no campo ver o Danilo jogar. Na verdade, não vou
vê-lo jogar, vou ficar com o Henrique.rsrs
Pode parecer desleixo meu, uma vez que o campo é bem perto de casa, mas posso justificar: No último domingo que fui, lesionei o joelho. Fiquei por vários dias precisando fazer compressas com gelo. Depois peguei uma gripe forte. E para ir no futebol, eu preciso estar bem de saúde, porque o Henrique quer brincar de bola.
Eu amo o Henrique. Amo estar com ele, mas vou falar... Acordar cedo no domingo, é pra acabar. Só pelo meu neto mesmo. E por uma boa viagem eu faço isso.O Danilo já tinha avisado que iriam jogar bola e ontem à noite ele mandou mensagem confirmando e querendo saber se eu iria. Confirmei. Coloquei o celular para desperyar às 6h30, mas acordei um pouco antes. Fiz café. Saí de casa um pouco
depois das 7h.
Cheguei no clube e o Danilo e Henrique estavam batendo bola no campo de
cima. Mas já saíram porque começaram a chegar os jogadores que jogam naquele
campo. O outro estava trancado. E o de baixo o time do Danilo estava jogando.
Já contei que o nome do time deles é 'Barcecana'?
Danilo foi jogar e eu e Henrique nos sentamos na arquibancada com os álbuns da Copa. O meu e o dele. Ele estava com 52 figurinhas repetidas. Combinamos de cada uma que eu não tivesse, eu vou comprar da Panini uma que ele quer ou precisa. A Panini já está vendendo as figurinhas unitárias. Ficamos fazendo isso até ele falar que queria mais figurinhas. Então chamei para irmos ao mercado comprar.
Quando a gente estava indo vimos vários carros antigos. Henrique ficou parado olhando. Lembrou do pai dele, que estava perdendo o desfile.rsrs
Fomos até o Savegnago, compramos algumas guloseimas, mas não tinha mais figurinhas. Um senhor falou que os camelôs
já estão vendendo o pacote por R$ 3,50. Uau! Metade do preço!
Voltamos para o clube e ficamos esperando o jogo terminar. Hoje eles iam
assar carne após o jogo. Henrique queria saber se eu ia ficar. Falei que não,
porque tinha missa para ir. E nem que não tivesse, o churrasco é só com os
homens. O que eu ia ficar fazendo lá.rsrs
Enquanto eles entregavam os troféus, eu e Henrique ficamos batendo uma bolinha.
Me despedi deles e corri para casa, para tomar banho. Zé me esperava para irmos à missa das 10h30 na Paróquia São Charbel.
Vovó é uma uva
A palavra avó nos remete a infância, quando passávamos o domingo numa
casa cheirando a comida, com toalhinhas de crochê decorando todos os ambientes
e um quarto sempre na penumbra, com móveis de madeira maciça e uma enorme
cadeira de balanço, onde cochilava a matriarca. Parece com a casa da sua avó
também? Pois guarde esta imagem na lembrança, pois ela não se reproduzirá tão
cedo. Já não se fazem mais avós como antigamente
Os estereótipos não são criados do nada: as avós eram assim mesmo, de
cabelo branco e óculos pendurados no nariz. Toda família que se preze teve sua
Dona Benta, e a imagem é tão forte que até hoje os comerciais de tevê insistem
em caracterizar as vovós como senhoras idosas, rechonchudas, com aventais
amarrados na cintura, cabelos presos num coque e aquele ar de quem não faz
outra coisa na vida a não ser torta de amoras. E os avôs? Seja na televisão ou
no rádio, todos têm voz de Papai Noel, enquanto, na realidade, os avôs da nova
era estão mais para Mick Jagger, que aliás já tem um neto. Acorde: os avós de
hoje não lembram mais das canções de ninar, mas sabem de cor a letra de
Satisfaction. Quer dizer que o lobo mau conseguiu engolir nossa vovozinha? As
que usavam touquinha e tinham voz rouca foram papadas, sim, meus pêsames. Mas
olha agora, o que vemos? Avós de jeans, dirigindo jipes, cabelo pintado, óculos
escuros. Avós que trabalham, que viajam, que dão festas, que namoram. Avós que
fazem lipo, aeróbica, jogam vôlei na praia e suspiram não pelo Sean Connery,
mas pelo Richard Gere. Será que elas sabem pregar um botão? Não custa tentar,
mas se a empreitada der errado, não complique. Ela terá o maior prazer em levar
a netinha para comprar uma roupa nova no shopping. E o almoço de domingo?
Também mudou. As avós de hoje não andam dispostas a engordar nem um grama com
macarronadas familiares e muito menos a quebrar suas garras vermelhas lavando
panelas. Que tal um buffet frio, muita água mineral e salada de frutas?
Combinado, ela entra com a água.
Netos e netas, não se sintam desamparados. As avós de hoje são muito mais
participantes. Podem não lembrar direito das histórias de Gulliver e do Gato de
Botas, mas têm histórias pessoais tão encantadoras quanto. São mais divertidas
e menos preconceituosas. Têm mais saúde e disposição para enfrentar parques,
teatrinhos, zoológicos. E o fato de buscarem a eterna juventude não lhes tirou
um pingo do afeto que sentem pela terceira geração. Ao contrário: nunca vi
tantas avós apaixonadas por seus netos. É um amor enorme, desinteressado, sem o
ônus do compromisso, só do prazer. Sempre foi assim, mas agora há um fator
novo: hoje as mulheres têm menos filhos, e em consequência, menos netos.
Antigamente a família era gigantesca, e não havia memória que chegasse para
lembrar no nome de toda a criançada. Hoje são só dois ou três, dá até para
providenciar um mini hotelzinho em casa para hospedá-los no final de semana.
Tem mais: o limite de idade para engravidar foi muito ampliado, e hoje uma
mulher pode ser mãe e avó quase ao mesmo tempo, encurtando as diferenças entre
uma e outra. Se por um lado estamos perdendo a imagem romântica da avó que cozinha,
faz tricô e tem roseiras no quintal, por outro estamos ganhando uma avó
bonitona, que tem o maior orgulho ao falar dos netos para as amigas e que
sempre estará disposta a nos dar um colo. Desde que esteja com uma roupa que
não amasse, claro.
O amor, que é o que interessa, não mudou. Mas mudaram as avós. Danuza Leão,
Baby Consuelo, Constanza Pascolato e tantas outras mulheres que falam gíria,
bebem cerveja estão sempre prontas para uma novidade são avós tanto quanto as
nossas saudosas velhinhas de casaquinho nos ombros. Atrizes que foram capa da
Playboy e tantas outras gatas da tevê também já tem filhos adolescentes que não
tardarão a procriar. Passarão, como toda mulher, pela menopausa, pelos
osteoporose e por outros distúrbios da idade, mas certamente não aceitarão o
papel de uma avó caseira, bordadeira e sem outra ambição que não seja cuidar
dos netos. Sempre se disse que a avó era uma segunda mãe. Pois ela nunca esteve
tão parecida com a primeira.
Martha Medeiros - novembro de 1995
Do livro "Felicidade Crônica", págs. 157 a 159
segunda-feira, 20 de julho de 2026
Amigas para Sempre
Uma boa amiga: a melhor coisa que se pode querer, e a mais difícil de
encontrar. Mesmo sendo leais, gostando e torcendo pela gente, ninguém é
perfeito, e existem umas que às vezes só matando. Exemplo: a que nunca deixa
você voar muito alto para evitar desilusões futuras.
Cheia de entusiasmo porque conseguiu aquele trabalho maravilhoso com que
sempre sonhou (e já escolhendo no armário os modelitos que vai usar), ouve um
"cuidado, quanto mais alto o coqueiro, maior o tombo". Com uma só
frase, corta o seu barato, mas que legal!
Em se tratando de namorado novo, o mesmo tipo de incentivo. "Já vi
esse filme, e não dou um mês para você enjoar, te conheço." Essa frase
tira qualquer um do sério, dá vontade de entrar para um Convento ou para a
Máfia, só para produzir um choque, surpreender. Ouvir isso fazendo a sacola
para o primeiro fim de semana que vão passar juntos é uma ducha de água gelada,
e você não sabe o que te irrita mais: se a pretensão de te conhecer tão bem ou
a memória implacável.
Outro tipo torturante é a que te analisa. Quando você telefona aos
prantos porque cortou o cabelo além da conta, responde sempre com um
"claro, estava tão bonita que não aguentou e teve que se punir". Ela
não consegue entender um desejo simples, como querer ficar parecida com
Sigourney Weaver, e só porque passou 12 anos num divã, acha que sabe mais do
que Freud. Se você está sem vontade de ir à festa, ou diz que adiou a pintura
da casa para setembro, responde de bate-pronto: "É a culpa".
Quando, esperando um telefonema, você tira o telefone do gancho para ver
se está funcionando (coisa mais do que normal), ela não perdoa e fulmina com um
"olha a ansiedade". Para essas, a fogueira de Joana d'Arc é refresco.
A que te adora e se preocupa com todos os seus problemas, costuma fazer
esse tipo de pergunta insuportável:
Ele telefonou?
Afinal, Renatinha, passou de ano?
A viagem está de pé?
A butique aceitou o blazer de volta?
Conseguiu o apartamento?
A resposta a todas as perguntas é não, claro, e ela já sabia. A lei de
Murphy (para quem não sabe: qualquer situação com alguma chance de não dar
certo provavelmente não dará certo) está aí mesmo, e ter que responder te
arrasa. Cuca fresca, você já tinha até dado a volta, mas ela consegue te
lembrar de tudo que podia ter acontecido de bom e não aconteceu. Em matéria de
corte, nem Isabel (a do vôlei) faria melhor.
Tem também a que aconselha, orienta, e sabe, com total segurança, o que
vai acontecer se você tomar este ou aquele rumo. E quando por acaso acerta não
deixa, jamais, de dizer: "Eu avisei". Haja.
Outro tipo, muito em moda ultimamente: a que não se envolve; ela não
perde uma só chance de encaixar frases do tipo "problema seu",
"só você pode saber". Se faz a pergunta mais banal, tipo "que
vestido ponho hoje, vou de pantera ou de fina?" a resposta costuma ser um
"depende, você é quem sabe como está por dentro (ai!), prefiro não
opinar". Quando a amiga comum fica cochichando com seu namorado pelos
cantos, ela procura ser objetiva: não tira sua razão, mas também não diz o que
você mais precisava ouvir naquela hora: que a outra é uma desavergonhada, que
isso não se faz, que o fogo do inferno é pouco pra gente dessa laia, que nunca
mais vai cumprimentar quando encontrar.
Uma amiga que toma seu partido, que palpita (pouco) só quando perguntada,
é tudo o que se quer, e a coisa mais rara de encontrar.
Quem tem uma desse quilate não vai se sentir sozinha, jamais.
Danuza Leão
Do livro "Danuza, Todo Dia", Capítulo "Ser Humano" págs.168 e 169












