Se quem luta por um mundo melhor soubesse que toda revolução começa por
revolucionar antes a si próprio.
Se aqueles que vivem intoxicando sua família e seus amigos com
reclamações fechassem um pouco a boca e abrissem suas cabeças, reconhecendo que
são responsáveis por tudo o que lhes acontece.
Se as diferenças fossem aceitas naturalmente e só nos defendêssemos
contra quem nos faz mal.
Se todas as religiões fossem fiéis a seus preceitos, enaltecendo apenas o
amor e a paz, sem se envolver com as escolhas particulares de seus devotos.
Se a gente percebesse que tudo o que é feito em nome do amor (e isso não
inclui o ciúme e a posse) tem cem por cento de chance de gerar boas reações e
resultados positivos.
Se as pessoas fossem seguras o suficiente para tolerar opiniões
contrárias às suas sem precisar agredir e despejar sua raiva.
Se fôssemos mais divertidos para nos vestir e mobiliar nossa casa, e
menos reféns de convencionalismos.
Se não tivéssemos tanto medo da solidão e não fizéssemos tanta besteira
para evitá-la.
Se todos lessem bons livros.
Se as pessoas soubessem que quase sempre vale mais a pena gastar dinheiro
com coisas que não vão para dentro dos armários, como viagens, filmes e festas
para celebrar a vida.
Se valorizássemos o cachorro-quente tanto quanto o caviar.
Se mudássemos o foco e concluíssemos que infelicidade não existe, o que
existe são apenas momentos infelizes.
Se percebéssemos a diferença entre ter uma vida sensacional e uma vida
sensacionalista.
Se acreditássemos que uma pessoa é sempre mais valiosa do que uma
instituição: é a instituição que deve servir a ela, e não o contrário.
Se quem não tem bom humor reconhecesse sua falta e fizesse dessa busca a
mais importante da sua vida.
Se as pessoas não se manifestassem agressivamente contra tudo só para
tentar provar que são inteligentes.
Se em vez de lutar para não envelhecer, lutássemos para não emburrecer.
Se.
Martha Medeiros - 19 de setembro de 2010
Do livro "Liberdade Crônica", pág. 246 e 247

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