quinta-feira, 8 de outubro de 2026

O calor e o frio dos outros

Mantenho correspondência por e-mail com algumas pessoas que moram fora de Porto Alegre e fora do Brasil. 

Não há um único e-mail, de ida, ou de volta, em que não se fale rapidamente do tempo. "Aqui está um calor dos infernos". "Pois aqui choveu o dia inteiro e refrescou".

Uma conversa mundana que eu achava típico de pessoas mundanas como eu, mas quando li o livro que traz as cartas que Clarice Lispector trocava com alguns de seus amigos, reparei que 90% delas também continham observações meteorológicas. Por mais filosófico ou intelectual que fosse o teor da carta, sempre havia um momento para falar do sol ou do nublado lá fora. Fico pensando o que significa isso. Que me importa se em Berlim está chovendo ou se no Rio faz 42 graus à sombra, já que não estou de passagem marcada para lá? O que importa para meus amigos forasteiros se em Porto Alegre choveu muito em 2001? Todos os dias chove ou faz sol, está frio ou quente, úmido ou seco, e a cada manhã isso nos parece um fenômeno sobrenatural e espantoso.

Creio que compartilhar as condições climáticas do lugar em que se está é um recurso de aproximação. É uma maneira de nos situar geograficamente, de preparar um cenário visível para quem não está nos enxergando. Lá no hemisfério norte a pessoa está encarangada, congelada e, no entanto, pode nos imaginar bronzeada e suando, vestindo uma leve blusinha de alças. E talvez seja também uma maneira de justificar nosso humor: temos nossas próprias variações de temperatura, somos pessoas nubladas ou ensolaradas, gélidas ou quentes. A meteorologia nos influencia tanto quanto a posição dos astros, e se não estamos muito pra conversa, vai ver é porque tem uma ventania lá fora que está perturbando por dentro também. Não sei se você está lendo este texto na beira da praia ou embrulhado num cobertor. Não sei onde você está. Não sei se há um temporal se armando ou se está um daqueles dias cinza que provocam melancolia na gente. Se eu soubesse, talvez soubesse um pouco de você. É um mistério que a natureza não explica: nossa necessidade de localizar o outro climaticamente. Relatamos em perguntar: você está deprimido hoje? chorando muito? com vontade de cometer uma loucura? com saudades de alguém? Em vez disso, é tão mais fácil: como é que está o tempo aí? 

Aqui, agora, chove, mas acho que vai abrir.

Martha Medeiros - setembro de 2001

Do livro "Felicidade Crônica", págs. 229 e 230

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Se Eu Fosse Você 2

Data de lançamento: 2 de janeiro de 2009 | 1h 40min

Direção: Daniel Filho | Roteiro Adriana Falcão, Daniel Filho

Elenco: Glória Pires, Tony Ramos, Ary Fontoura, Chico Anysio, Maria Luisa Mendonça, Marcos Paulo, Cassio Gabus Mendes, Viviane Pasmanter, Adriane Galisteu

Gênero: Comédia

Sinopse: Em Se Eu Fosse Você 2, Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Glória Pires) estão prestes a se separar, o que faz com que ele passe a morar na casa de Nelsinho (Cássio Gabus Mendes). Porém, após a primeira reunião do divórcio, eles discutem em pleno elevador e, repentinamente, trocam de corpos mais uma vez. Isto faz com que ambos tenham que viver a vida do outro, tendo por experiência o que ocorreu anos antes. Paralelamente há a situação de Bia (Isabelle Drummond), filha do casal, que está grávida e não sabe como contar aos pais.


No domingo, assisti ao primeiro filme dessa trilogia, e hoje assisti ao segundo. Quis ver logo porque o terceiro vai estrear nos cinemas amanhã, ou seja, em breve o Victor vai querer ir assistir.

Neste segundo filme, a parte mais engraçada ficou por conta das reações do Cláudio (no corpo da Helena) ao saber que a filha está grávida — ainda mais porque ele nem sabia que ela estava namorando o Olavinho! Depois, eles ainda tiveram que conhecer os sogros da filha e enfrentar toda a preparação do casamento. Ou seja: muita confusão e boas risadas.

Achei divertido como o filme insere participações especiais ou faz menções a outros personagens. Será que fazem isso para ver se o telespectador está ligado? No primeiro filme, por exemplo, o Daniel Filho faz uma rápida aparição no mictório ao lado do Cláudio, no banheiro do restaurante. Já neste segundo, na cena em que a Helena e o Cláudio vão assinar os papéis do divórcio, o advogado dela - que é também seu primo - é interpretado por Marcos Paulo. O Cláudio até faz uma piada dizendo que a Helena "levou o Primo Basílio", uma referência direta ao papel marcante do ator na famosa minissérie da TV Globo.

Assim como comentei no post do primeiro filme, o saudosismo continua forte aqui, pois temos mais dois grandes artistas que já nos deixaram: Chico Anysio e Marcos Paulo, ambos falecidos em 2012. Coincidentemente, no texto anterior, eu havia mencionado o Dennis Carvalho e a Glória Menezes, que nos deixaram em 2026. Tem ano em que a gente perde muita gente querida!

Para finalizar, vou soltar um baita spoiler: a Helena engravida! Ou seja, ela vai ser vovó e mãe ao mesmo tempo. Quero só ver o que nos aguarda no próximo filme. Me aguardem!

domingo, 4 de outubro de 2026

Se Eu Fosse Você

Data de lançamento: 6 de janeiro de 2006 | 1h 34min

Direção: Daniel Filho

Elenco: Tony Ramos, Glória Pires, Glória Menezes, Ary Fontoura, Thiago Lacerda, Lavínia Vlasak, Danielle Winitz, Maria Gladys, Dennis Carvalho

Gênero: Comédia

Sinopse: Cláudio e Helena são um casal rotineiro, e devido à isso, possuem algumas discussões. Ele, publicitário bem sucedido e ela, professora de música, após discutirem e começarem estranhamente a falar as mesmas palavras juntos, e na mesma hora, quando despertam no dia seguinte após adormecerem logo após tais eventos ocorridos, percebem-se que estão em corpos trocados: Helena está no corpo de Cláudio e vice-versa.

Tendo que enfrentar tal acontecimento inusitado e até então inédito para ambos, juntos terão que assumir a vida um do outro, e aprenderão a ver o ponto de vista de cada qual sob um novo ângulo, que até então fora superficialmente sentidos por eles, e que agora, são intensamente vividos.


Dias atrás, o Victor falou que o filme Se Eu Fosse Você 3 vai estrear nos cinemas e sugeriu de irmos assistir juntos. Eu disse que iria, mas gostaria de assistir aos dois primeiros antes. Como sei que ele tem os DVDs, pedi emprestado. Peguei os dois no dia em que fomos à Expoflora.

O primeiro eu tinha certeza de já ter assistido, mas não me lembrava de como ou por que eles trocaram de corpo, nem de como acontecia a destroca, por isso achei melhor rever. Agora, quanto ao segundo filme, não lembro se cheguei a assistir.

Hoje assisti ao primeiro. É impressionante pensar que o filme é de 2006 e já está completando 20 anos. Bate um super saudosismo ao rever atores e diretores  incríveis que já nos deixaram, como o Jorge Fernando e as perdas marcantes deste ano: o Dennis Carvalho, em fevereiro, e a nossa eterna Glória Menezes em agosto.

O filme é muito divertido por causa das trocas: O Claudio, no corpo da Helena, tendo que lidar com salto alto, menstruação e os desafios da vida dela; e, por outro lado, a Helena, delicada e sensível, em um corpo masculino e tendo que fazer xixi em pé. Foram motivos para muitas risadas.

A destroca acontece quando eles finalmente reconhecem o valor do outro e fazem amor. Ao acordarem no dia seguinte, tudo voltou ao normal. Um filme ótimo, bem como eu me lembrava. Em breve assistirei ao segundo. Me aguardem! rsrs

P.S.: Sabia que tinha assistido. Encontrei a postagem. Veja AQUI!

Domingo de futebol com Danilo e Henrique

Ontem, quando estávamos na casa da minha mãe, o Henrique me perguntou:

_ Vó, amanhã você vai ao campo?

E como dizer não, se eu não tinha nenhum impedimento para ir? Respondi que provavelmente iria.

Coloquei o celular para despertar às 6h30. Levantei, preparei e tomei meu café da manhã. Depois, troquei de roupa e fui para o campo.

Assim que cheguei, fui entrando e tirando fotos. Achei estranho não ver o Henrique nem na arquibancada, nem no lugar onde os jogadores ficam sentados enquanto esperam sua vez de jogar. Até que o encontrei sentadinho perto do portão de entrada do campo. Pelo jeito, estava se escondendo de mim! Quando me viu, abriu aquele sorrisão e me contou que o outro campo estava aberto. Então, fomos para lá.





Ficamos brincando de bola, e eu fui para o gol. Depois, ele quis brincar um pouco de driblar. Quase morri nessa hora! O garoto tem um pique que eu não consigo acompanhar! 😂

Agora, ele inventou de chutar a bola para trás. E era justamente nessas horas que eu conseguia tomar a bola dele, porque ela estava sempre indo para trás. Rsrs.



Depois, a brincadeira foi pendurar a camiseta no meio do travessão para ele tentar acertar a bola. Em seguida, pediu que eu colocasse a camiseta no ângulo.

— Onde é o ângulo? — perguntei.

Então, ele me mostrou o cantinho da trave. Primeiro, colocamos a camiseta no ângulo direito; depois, no esquerdo.




Eu havia levado um bolinho recheado da Panco e uma banana para ele. Henrique se sentou para comer e, algum tempo depois, saiu para chamar o pai. Ele queria ir ao banheiro. Estranhei que não tivesse me chamado e perguntei se já conseguia se limpar sozinho. Ele disse que sim.

Será que não me chamou porque eu teria que levá-lo ao banheiro feminino? 🤔


Ficamos brincando por mais de duas horas! Eu não estava com pressa, pois não iria à missa das 10h. Pretendia assistir à missa das 17h, na Capela São Francisco de Assis.


Depois de tantas brincadeiras, me despedi deles e fui para casa, levando comigo as lembranças de uma manhã divertida e cheia de momentos especiais.

Missa de reinauguração Capela São Francisco de Assis

Hoje é dia de São Francisco de Assis e teve missa na Capela que fica perto do meu apartamento. Foi uma missa especial, pois foi a reabertura da Capela. Em abril, o Frei Reginaldo iniciou uma campanha na Paróquia Santo Antônio em prol da reforma da Capela São Francisco de Assis, onde cada um fez um PIX de R$ 50,00 por cinco meses. De manhã, quando eu estava indo ao colégio para votar, tirei uma foto de como ela ficou por fora — antes era azul. 


Eu costumo ir à missa na Paróquia Santo Antônio, mas hoje deixei para ir à missa de reinauguração, que aconteceu às 17h.

Saí de casa debaixo de uma chuvinha bem fina, quase uma garoa. Quando cheguei, a igreja estava lotada, com gente até do lado de fora. Vi uma brecha e entrei. A Gilvana estava no fundo e me mostrou uns lugares no cantinho da lateral. Para chegar lá, tivemos apenas que passar por um pessoal que estava sentado em cadeiras provisórias. Eu fui primeiro, e depois ela e mais algumas pessoas começaram a se aproximar.



A capela está linda, tanto por dentro quanto por fora! A missa foi presidida, em sua maior parte, pelo Frei Reginaldo, mas também estavam presentes no altar o Frei Pedro Miguel e o Frei Antonino. O Frei Reginaldo agradeceu ao pedreiro, aos membros da pastoral e a todos os fiéis que ajudaram para que a reforma acontecesse. Ele contou que o dinheiro arrecadado não foi suficiente, e que a Paróquia Santo Antônio ajudou com o restante.

O Frei também anunciou as atividades que passarão a acontecer na capela. Fiquei muito feliz, porque assim ela não fica abandonada nem à mercê de pessoas mal-intencionadas — já que, no passado, roubaram até a fiação do local.

A missa foi linda. No final, teve a bênção dos pães. Foram tantos momentos bonitos que a celebração durou quase uma hora e meia. Apesar de ter sido longa e de eu ter ficado em pé o tempo todo, nem senti o tempo passar. Lá fora fazia frio e caía uma chuvinha; lá dentro, o que se sentia era o calor humano e muita alegria.